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Assento sanitário de 2.000 anos usado por romanos é achado na Inglaterra

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 28, 2014

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ASSENTO SANITÁRIO DE 2.000 ANOS – Arqueólogos encontraram um assento sanitário feito de madeira de 2.000 anos perfeitamente preservado e que pode ser o único existente usado pelos romanos. O artefato foi descoberto no forte Vindolanda, na Muralha de Adriano, em Northumberland, no norte de Inglaterra e pode ter sido usado por soldados de fronteira, cujo trabalho era manter os bárbaros afastados. O coordenador das escavações do forte, Andrew Birley, já havia desenterrado ouro e prata do local, além de outros objetos relacionados com o poder militar romano. Ele descobriu o assento sanitário em uma vala cheia de lama, que antes estava cheio de lixo secular. Birley acredita que a madeira sobreviveu justamente por causa da lama, que teria deixado ela livre do oxigênio. Daily News/Reprodução

Arqueólogos encontraram um assento sanitário feito de madeira produzido há 2.000 anos perfeitamente preservado e que pode ser o único existente usado pelos romanos. O artefato foi descoberto no forte Vindolanda, na Muralha de Adriano, em Northumberland, no norte de Inglaterra e pode ter sido usado por soldados de fronteira, cujo trabalho era manter os bárbaros afastados de seus domínios.

O coordenador das escavações do forte, Andrew Birley, já havia desenterrado ouro e prata do local, além de outros objetos relacionados ao domínio romano na região. Ele descobriu o assento sanitário em uma vala cheia de lama, que antes abrigava lixo. Birley acredita que a madeira sobreviveu justamente por causa da lama, que teria deixado o material livre do oxigênio. “Nós conhecemos muito sobre banheiros romanos a partir de escavações anteriores, que incluíram muitas latrinas romanas fabulosas. No entanto, nunca antes tivemos o prazer de ver um assento de madeira perfeitamente preservado”, afirmou a um jornal inglês. http://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2014/08/28/assento-sanitario-de-2000-anos-usado-por-romanos-e-achado-na-inglaterra.htm

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O alto preço pago por uma testemunha de crimes de guerra

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 28, 2014

Haia, Holanda – Ela escolheu o anonimato de uma estação de trem para conversar sobre o peso insustentável de levar uma vida dupla.

O alto preço pago por uma testemunha de crimes de guerra

Haia, Holanda – Ela escolheu o anonimato de uma estação de trem para conversar sobre o peso insustentável de levar uma vida dupla.

Ela jamais planejara viver dessa forma. Quando a jovem de Belgrado resolveu testemunhar no julgamento de um dos casos de crime de guerra mais sensacionais das últimas décadas, envolvendo o presidente sérvio Slobodan Milosevic, prometeram que sua identidade não seria revelada.

Ela recebeu um codinome, Testemunha B-129, e sua voz e seu rosto eram eletronicamente alterados no telão do tribunal das Nações Unidas durante o julgamento do líder da antiga Iugoslávia, em Haia, quando testemunhou em 2003.

Até que um técnico divulgou trechos de sua voz verdadeira por engano, e o som foi transmitido ao vivo para a Sérvia. Logo que ela voltou para casa, alguém tentou matá-la.

A Testemunha B-129 agora está entre as que vivem sob os cuidados da polícia em programas de proteção a testemunhas, longe de casa, com novos nomes e histórias para esconder suas identidades reais.

‘Para a Sérvia eu sou uma traidora’, afirmou a mulher discreta de modos delicados, atualmente com 42 anos. ‘Ajudar o tribunal arruinou a minha vida’.

A Testemunha B-129 buscou um repórter que, de acordo com determinações legais, não pode revelar sua identidade, nem sua localização, para conversar sobre o preço alto pago por ela pelo testemunho contra Milosevic e a polícia secreta da Sérvia.

Segundo ela, os últimos 11 anos foram como viver ‘em um labirinto’.

‘Nos disseram que poderíamos levar uma vida normal’, afirmou. Ao invés disso, ela e o marido se sentem presos nas garras de uma burocracia passiva, dos integrantes do tribunal da ONU e da polícia de um país desconhecido.

‘Você não é imigrante’, afirmou a Testemunha B-129. ‘Quando recebe uma nova identidade, perde tudo: os amigos, as propriedades, os contatos com a família, a carteira de motorista, sua própria história’. Com frequência, acrescentou, ‘sinto como se estivesse prestes a perder a cabeça’.

Autoridades do tribunal de Haia e da polícia do novo país de residência da testemunha se negaram a discutir o caso. Porém, a história foi corroborada por documentos judiciais e cartas mostradas por ela e por advogados que trabalharam no caso, fornecendo uma rara perspectiva sobre uma parte moderna, mas profundamente escondida, da justiça internacional.

Todos os tribunais de crimes de guerra atuais dependem das testemunhas, já que chacinas, torturas e estupros raramente vêm acompanhados de documentos que determinam os responsáveis.

Muitas utilizam pseudônimos ao testemunhar, mas apenas algumas recebem proteção em função do perigo a que são expostas, recebendo uma nova identidade e mudando de país.

Os números de telefone e seu paradeiro são segredos cuidadosamente guardados, e não se sabe praticamente nada a respeito de sua situação. As testemunhas são informadas de que serão cortadas do programa de ajuda se revelarem suas identidades originais.

Durante dois anos, a Testemunha B-129 deixou boquiaberto o tribunal em que Milosevic foi julgado ao descrever seu trabalho como assistente de confiança de Zeljko Raznatovic – mais conhecido como Arkan – empreendedor sérvio com mandados de prisão emitidos por toda a Europa.

Na guerra dos Balcãs, no início dos anos 1990, Raznatovic criou uma milícia, os Tigres, ou Guarda Voluntária da Sérvia. Eles logo ganharam fama por fazer saques, tráfico, e cometer assassinatos na Croácia e na Bósnia. Milosevic afirmou durante o processo em Haia que não sabia nada a respeito das atividades dos Tigres.

Porém, citando detalhes meticulosos do livro de registros do escritório entre 1994 e 1995, a Testemunha B-129 afirmou que Raznatovic e os Tigres eram controlados, recebiam ordens e eram pagos pela inteligência de Milosevic e seus chefes de segurança. Parte de seu trabalho era contar o dinheiro e colocá-lo em envelopes para os milicianos, afirmou ao tribunal. Raznatovic jamais enviou seus homens à batalha sem ordens dos assessores de Milosevic, acrescentou, e ele falava abertamente que jamais fazia prisioneiros.

Raznatovic foi indiciado por crimes de guerra em 1997, porém, foi assassinado no lobby de um hotel em Belgrado, em 2000.

‘Uma testemunha extraordinária’, recordou um antigo promotor, falando a respeito da Testemunha B-129. Em uma carta, outro promotor escreveu que suas evidências mostravam a total cumplicidade da Sérvia com os Tigres ‘criminosos’.

Durante uma das muitas entrevistas que ela concedeu, contou ter ido trabalhar para Raznatovic porque era estudante de direito na época e precisava de dinheiro. No começo, acreditava que os Tigres estivessem lutando para defender o povo Sérvio, mas acabou se desiludindo. ‘Eles faziam aquilo pelo poder e porque gostavam de matar’, afirmou. ‘Queriam traficar e ganhar muito dinheiro. E muitas pessoas morreram sem razão’.

Sua raiva fez com que ela decidisse testemunhar em 2003, depois de assistir ao julgamento do ex-presidente iugoslavo. ‘Milosevic mentia e negava tudo, inclusive seus laços com Arkan’, afirmou. ‘Senti que deveria falar. Vi coisas que a maioria das pessoas não sabia ou não admitia’.

Quando voltou para casa depois de testemunhar, encontrou um policial a paisana em frente a seu prédio. Algumas semanas depois, parentes seus começaram a receber ameaças pelo telefone. Certa noite, enquanto atravessava a rua, um carro tentou atropelá-la. Ela disse que reconheceu o motorista, o mesmo agente da polícia secreta que estava montando guarda em frente a sua casa.

Membros do tribunal agiram rapidamente e tiraram-na do país junto com o marido, levando-os primeiro para a Croácia, e depois para um abrigo na Holanda. Eles tiveram de esperar 18 meses até que o governo europeu os aceitasse no programa nacional de proteção a testemunhas.

Em Belgrado, eles tinham casa própria. Ela era dona de uma escola de idiomas e o marido trabalhava para uma organização de ajuda internacional. Agora, eles não podem mais exibir seus diplomas e tiveram que aceitar trabalhos mal pagos de meio período em lojas, e se revezam nos cuidados dos três filhos, todos nascidos no exílio. As dívidas só crescem e os atrasos no pagamento do aluguel fizeram com que o casal fosse processado, afirmou.

Ela tem dificuldades de fazer amigos de verdade. ‘Sempre tenho medo de falar mais do que a boca’, afirmou. ‘Fico sempre doente e tenho que mentir para o médico sobre o que me deixa tão deprimida, me tira o sono e me faz ficar maluca desse jeito’.

Uma angústia constante causada pela perda de sua identidade sempre a persegue. ‘É difícil acreditar, mas há 10 anos eu era uma pessoa confiante’, afirmou, quase sussurrando. ‘Agora tenho ataques de pânico antes de ir ao banco ou ao supermercado. Sinto como se tivesse feito alguma coisa errada. Viver escondendo a verdade me faz parecer uma criminosa’.

Há cinco anos, quando foi pressionada a testemunhar em um segundo julgamento, ela fez o promotor e os policiais que cuidam do caso prometerem que iriam vender seu apartamento em Belgrado, para que ela pudesse pagar suas dívidas. ‘Eu não posso vender o apartamento’, afirmou. ‘Não posso mais provar quem eu sou’.

Atualmente, ela ainda espera pela venda do imóvel, enquanto um emaranhado de documentos vai e vem entre o tribunal e a polícia. ‘Não posso recorrer a nenhum tipo de ajuda legal, porque não sou criminosa’, afirmou, com um sorriso fraco.

A polícia recentemente concedeu um empréstimo, como adiantamento pela venda do apartamento.

Este ano, com passaportes e nomes novos, o casal pôde finalmente fazer uma viagem curta para a Sérvia, pela primeira vez desde que saíram, há 11 anos.

Mas a Testemunha B-129 não consegue se livrar da sensação de que o sacrifício foi em vão. Milosevic morreu na prisão em 2006, antes do fim do julgamento. Duas autoridades sérvias contra as quais ela testemunhou foram absolvidas recentemente.

‘Eu me sinto usada’, afirmou. ‘Eles estão livres na casa deles, e eu estou presa nessa vida. Minha situação é muito pior, e não cometi crime algum’. Marlise Simons- The New York Times News Service/Syndicate – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito do The New York Times.

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Os sindicatos de oposição lançam uma greve geral na Argentina

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 28, 2014

Três centrais sindicais e os partidos da esquerda organizam piquetes e paralisam linhas de metrô

Uma manifestação em Buenos Aires na quarta-feira. / J. MABROMATA (AFP)

Três das cinco centrais sindicais argentinas, as três identificadas com a oposição ao Governo da peronista Cristina Kirchner, se uniram nesta quinta-feira numa greve geral de protesto contra a crise econômica que assola o país. Uma delas, a ala opositora da esquerdista Central de Trabalhadores da Argentina (CTA), iniciou a paralisação ao meio-dia da quarta-feira e organizou uma manifestação que partiu da praça de Maio, diante da Casa do Governo, e foi até o Congresso.

Manifestantes da ala opositora da CTA e dos partidos trotskistas, que ganharam peso nas últimas eleições legislativas e nos comitês de empresa de várias indústrias à medida que o kirchnerismo foi sofrendo desgastes, também aderiram à greve de 36 horas e ao protesto de rua com piquetes em sete estradas de acesso a Buenos Aires na manhã da quarta-feira. Mas a greve está maior nesta quinta-feira, com a participação das duas divisões opositoras e da poderosa Confederação Geral do Trabalho (CGT). Estão parados caminhões, trens, uma linha de metrô, ônibus interurbanos, aviões, bancos, restaurantes, tribunais, postos de combustíveis, portos, a coleta de lixo e as bilheterias dos estádios de futebol. Os ônibus urbanos estão circulando, mas as vias de acesso à capital estão novamente bloqueadas por protestos.

O sindicalismo oposicionista pede que o Governo proíba por um ano as demissões e suspensões nas empresas. No segundo trimestre de 2014 o desemprego subiu para 7,5%, contra 7,2% um ano antes. A economia permaneceu estagnada em junho, o último mês medido, e a inflação já chega a 31,2% ao ano, segundo números oficiais. O próprio Executivo admitiu que os sindicatos pactuaram este ano um reajuste salarial médio de 29,7%. Por isso os opositores pedem a reabertura das negociações salariais, considerando que os preços subiram acima do previsto no início do ano. Reivindicam também que os assalariados deixem de pagar o imposto de renda, algo que o Governo dificilmente poderá aceitar, de modo que a discussão mais realista será de um ajuste do imposto segundo a inflação.

A presidenta enfrenta a sua terceira greve

Cristina Kirchner enfrenta a terceira greve contra seu Governo; as anteriores foram em 2012 e em abril passado, já em plena recessão.

A forte alta do dólar no pequeno porém influente mercado do câmbio ilegal, até chegar na quarta-feira a 14,38 pesos por dólar, 71% acima do câmbio oficial, também reaquece a expectativa de desvalorização do peso, o que elevaria a inflação ainda mais. A tensão cambial reapareceu na Argentina depois da depreciação do peso em janeiro passado, diante da crise de dívida iniciada em 30 de julho. Mais preocupado agora com uma desvalorização, o Banco Central precisou cancelar a recente redução dos juros para infundir ânimo na economia.

A jornada da quarta-feira começou em Buenos Aires com piquetes que dificultaram, mas não impediram a chegada de carros, caminhões e ônibus dos subúrbios até o centro da cidade. A Gendarmaria Nacional ameaçou desocupar uma rodovia e conseguiu que os manifestantes liberassem o trânsito em algumas das pistas. O secretário de Segurança da Argentina, Sergio Berni, não descartou outras intervenções policiais para desativar nesta quinta os mais de mil bloqueios prometidos em todo o país.

Os piquetes

Na tarde de quarta-feira os piquetes de trotskistas se uniram à CTA opositora, bem representada na administração pública, em uma passeata pelo centro de Buenos Aires. Horas antes também tinham se manifestado ali, mas em paralelo com a greve, as centenas de famílias despejadas no sábado passado de um bairro de barracos na capital pelas forças de segurança do Governo de Kirchner e da prefeitura chefiada pelo conservador Maurício Macri, candidato presidencial nas eleições de 2015.

O líder de uma das CGTs, Hugo Moyano, que foi kirchnerista até 2011, nesta quarta-feira responsabilizou o Executivo por qualquer incidente que venha a ocorrer na quinta-feira. Seu colega da CTA opositora Pablo Micheli não hesitou em recorrer a ofensas para criticar os sindicalistas da CGT e CTA kirchneristas, que representam amplos setores de trabalhadores, chamando-os de “cagões” (medrosos) por não aprovarem a greve. Algumas partidas da Primeira Divisão de futebol seriam suspensas nesta quinta-feira, mas no último momento os clubes decidiram seguir adiante com elas, talvez para evitar desgastes com o Governo de Kirchner, que os subvenciona indiretamente com a transmissão de todos os jogos pela televisão estatal.

Sindicalistas kirchneristas reconheceram problemas como a inflação e a necessidade de atualizar o imposto de renda, mas consideram que esta não é boa hora para pressionar o Governo, em plena disputa com a justiça dos EUA pelo não pagamento da dívida. Nesta quarta-feira, por sinal, uma comissão do Congresso aprovou o projeto de lei para oferecer aos credores dos EUA, Europa e Japão a possibilidade de receber os valores que lhes são devidos na Argentina, de modo a evitar o bloqueio judicial norte-americano que obriga Buenos Aires a pagar primeiramente os chamados fundos abutre que rejeitaram a reestruturação do passivo em 2005 e 2010, antes de aquela maioria dos credores a terem aceitado.

Um dia antes, outra comissão do Parlamento tinha aprovado uma reforma da lei de abastecimento, que elevará os controles de preços e o fornecimento do Estado sobre as grandes empresas. Paralelamente, o Governo esclareceu que não proibiu a exportação de carne bovina, mas a racionou para reduzir os preços internos do prato preferido dos argentinos. E nesta quarta-feira o Congresso sancionou uma lei que dará a 500.000 idosos pobres acesso a uma pensão. Todas essas medidas mostram que Kirchner descarta ficar de braços cruzados diante da crise e que vai aplicar sua receita para fazer frente a ela. A greve desta quinta será a terceira greve geral a confrontar a presidenta. A primeira foi em 2012 e a mais recente, em abril passado. http://brasil.elpais.com/brasil/2014/08/28/economia/1409180751_473694.html

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Os rebeldes ucranianos abrem uma terceira frente perto da fronteira russa

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 28, 2014

Moscou promete influenciar os separatistas para impulsionar um processo de negociações com Kiev

REUTERS-LIVE!

Depois de três dias de duros combates, o prefeito da estratégica cidade de Novoazovsk confirmou para a agência AP que as forças rebeldes do leste da Ucrânia entraram na localidade. A cidade, ao lado do mar de Azov, está muito próxima da fronteira com a Rússia. Sua tomada abriria as portas do controle do mar aos rebeldes e implicaria uma terceira frente de combate, junto com as de Donetsk e Lugansk.

Os pró-russos não haviam chegado tão longe ao sul em quatro meses de conflito, e se afastam de seus bastiões tradicionais após uma grande contraofensiva, após a qual afirmam controlar as três passagens fronteiriças com a Rússia na província de Donetsk: Marinovka, Uspenka e Novoazovsk. Jornalistas que presenciaram a ofensiva rebelde dizem que estavam muito melhor armados do que em batalhas anteriores. O jornal The New York Times assegura que as tropas leais a Kiev que defendiam a cidade foram bombardeadas da Rússia, e que os rebeldes contavam com apoio que vinha do outro lado da fronteira. Os soldados se retiraram de forma caótica e extremamente desmoralizados, assegura o jornal norte-americano.

Segundo Kiev, Novoazovsk ainda está em poder de suas forças. Os próprios rebeldes reconheceram que “é cedo para dizer que tomamos a cidade”, declarou um porta-voz separatista, que confirmou o controle dos postos fronteiriços.

A localidade mais importante da região é Mariupol, na qual está se espalhando o pânico entre a população, apesar das tropas ucranianas controlarem a cidade e as localidades vizinhas. A televisão russa mostrou longas filas de veículos que abandonam a cidade por medo de que a situação se agrave e os combates se aproximem.

Os combates também continuaram nesta quarta-feira com igual intensidade nas províncias de Lugansk e Donetsk, levantando dúvidas sobre a efetividade das negociações realizadas na terça-feira pelos presidentes ucraniano (Piotr Poroshenko) e russo (Vladimir Putin) em Minsk, em Belarus. As difíceis e duras conversações, conforme as qualificou Poroshenko, não produziram nenhum milagre, mas ao menos deixaram fracos indícios de esperança: por parte de Poroshenko, a de elaborar um roteiro para conseguir um cessar-fogo no leste da Ucrânia, e por parte de Putin, a de influenciar os separatistas pró-russos para que as negociações entre estes e Kiev possam dar resultado.

Os separatistas lançaram há três dias uma grande contraofensiva para recuperar terreno frente às tropas de Kiev que aparentemente está sendo bem sucedida. Os pró-russos afirmam ter recuperado várias localidades, assim como a colina estratégica de Saur-Moguila. Além disso, asseguram que cercaram três destacamentos de tropas ucranianas, as quais propuseram que se rendam.

Kiev, do seu lado, reconhece o bloqueio de somente um grupo de seus soldados, e enumera suas próprias vitórias: numerosos blindados e sistemas de lançamento de mísseis destruídos e a morte de mais de 200 milicianos nas localidades de Gorlivka e Ilovaysk, na província de Donetsk. Ao mesmo tempo, admite as baixas nas últimas 24 horas de 13 soldados mortos e 36 feridos. Reconhece também a contraofensiva dos rebeldes e assegura que estão atacando a cidade de Jriashevatoye.

A cidade de Donetsk foi bombardeada pelas forças do Governo, e ao menos três pessoas morreram por conta de um projétil que acertou um carro em plena avenida Shevchenko, uma das principais da cidade, segundo testemunha de um jornalista da France Presse.

As autoridades de Kiev também denunciaram que outro grupo de soldados russos cruzou a fronteira a bordo de blindados de infantaria e caminhões e entrou na localidade de Amvrosiyivka, no leste do país.

As forças de segurança ucranianas asseguram que detiveram outro soldado russo que teria confessado que sua unidade entregou equipamentos militares aos separatistas pró-russos, segundo a agência Interfax. Por outro lado, os guardas de fronteira russos asseguram que 62 soldados ucranianos desarmados entraram em seu país fugindo dos combates.

Na Rússia, depois da detenção de uma dezena de soldados russos que disseram terem se perdido em território da Ucrânia, vários meios de comunicação independentes começaram a exigir resposta sobre a participação de tropas nacionais no conflito entre Kiev e os rebeldes. Supostos familiares dos soldados distribuíram um vídeo pedindo que sejam libertados e voltem para casa.

O jornal Novaïa Gazeta, o site Fontanka.ru e a rede de televisão Dojd publicaram também reportagens sobre o enterro na segunda-feira, nos arredores de Pskov, de dois paraquedistas russos que, segundo seus familiares, morreram na Ucrânia. Alguns dos jornalistas que foram para a cidade, no oeste do país, encontraram problemas para realizar sua cobertura, e ocorreram detenções.

Frente diplomática

Nesse contexto belicoso, fica distante a lembrança das boas intenções exibidas em Minsk. Depois das duas horas de conversações “muito duras e complexas” cara a cara com Putin, Poroshenko declarou que “será preparado um roteiro para conseguir o quanto antes um cessar-fogo que deverá ser de caráter bilateral”, desde que os separatistas pró-russos renunciem à luta armada, afirmou nesta quarta-feira em Kiev o chefe adjunto da Administração presidencial, Valeri Chali. Kiev descarta pôr fim unilateralmente a denominada operação antiterrorista lançada em abril contra os rebeldes pró-russos. “A operação antiterrorista é nossa prerrogativa soberana para defender nosso país. E se existem ataques por parte dos terroristas, nosso Exército deve defender o povo”, disse Chali em uma entrevista coletiva.

Poroshenko deseja um controle férreo sobre a fronteira com a Rússia e para isto considera que a vigilância deve ser supervisionada pela OSCE, algo a que Moscou, segundo reiterou, não se opõe. Pelo contrário, como afirmou na segunda-feira o ministro das Relações Exteriores Sergey Lavrov, já funciona uma missão desse organismo formada por 500 homens, que pode ser ampliada se assim acharem conveniente e que tem mandato para utilizar equipamentos modernos de controle, incluindo drones (aviões não tripulados). Na noite desta terça-feira, os presidentes russo e ucraniano entraram em acordo, além disso, que os chefes do Estado Maior dos dois países irão se reunir para debater sobre o controle da fronteira.

Putin, que durante sua fala no começo da reunião realizada nesta terça-feira em Minsk entre a União Aduaneira (Belarus, Cazaquistão e Rússia) e a Ucrânia com a participação da União Europeia, focou-se nos problemas econômicos, disse depois de seu encontro com Poroshenko que Moscou não pode entrar para discutir as condições de um cessar-fogo, já que os que devem entrar em acordo são os representantes de Kiev, de um lado, e os de Donetsk e Lugansk, do outro.

“Nós podemos contribuir unicamente para criar uma atmosfera de confiança para um possível e, na minha opinião, sumamente necessário processo de diálogo” entre o Governo ucraniano e os rebeldes do Leste, afirmou Putin. O líder russo acrescentou que se chegou a um acordo no que se refere tanto à ajuda humanitária para as províncias de Donetsk e Lugansk, como as negociações em torno do fornecimento de gás. As conversações sobre isso entre Moscou, Kiev e Bruxelas devem se reiniciar na primeira semana de setembro.

A Comissão Europeia expressou sua confiança em que a Ucrânia e a Rússia possam chegar a um “acordo interino” em setembro para resolver a disputa sobre o gás que mantém pelo preço do fornecimento exigido para a Ucrânia e que ameaça criar um problema de abastecimento para a Europa pouco antes do inverno, informa a Reuters. Bruxelas confia que ambas as partes cheguem, com sua mediação, “a uma solução interina” depois que Putin e Poroshenko, na reunião de Minsk desta terça-feira, concordaram em manter uma reunião trilateral sobre gás com a UE.

Apesar de não ter produzido resultados extraordinários, só o fato da reunião de Minsk ter sido realizada já é, como frisou o presidente bielo-russo Alexandr Lukashenko, “um grande sucesso”. http://brasil.elpais.com/brasil/2014/08/27/internacional/1409143305_103305.html

Poroshenko denuncia uma invasão militar russa na Ucrânia

A contraofensiva pró-Rússia obriga Kiev a abandonar vários pontos estratégicos

Poroshenko denuncia uma invasão russa / Vídeo: Reuters | En a foto (AP), um caminhão blindado das forças ucranias em Mariúpol o 28 de agosto

Enquanto os confrontos se intensificam no leste da Ucrânia, onde rebeldes pró-Rússia continuam seu avanço rumo ao sudeste, também aumentam as acusações de uma participação russa a favor dos separatistas ucranianos. O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, denunciou a presença direta de forças de Moscou na província rebelde de Donetsk, onde tropas do Governo caíram em um cerco na região de Amvrosievka. Um representante da OTAN confirmou, nesta quinta-feira, as acusações feitas por Kiev. “Acreditamos que mil soldados russos estejam atuando dentro da Ucrânia”, disse o oficial em uma aparição na sede da entidade na Bélgica.

A bem-sucedida ofensiva lançada esta semana pelos separatistas obrigou as forças de Kiev a abandonar pontos estratégicos, entre os quais se destacam a colina de Saur-Mogila e a cidade de Novoazovsk.

“Decidi suspender minha visita à Turquia porque a situação se agravou bruscamente na província de Donetsk, particularmente em Amvrosievka e em Starobeshevo, por causa da incursão de tropas russas na Ucrânia”, afirmou Poroshenko, que anunciou uma reunião do Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia nesta quinta-feira. Ele também disso que vai solicitar uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU para que o mundo “condene duramente o duro agravamento dos acontecimentos na Ucrânia”.

Ainda nesta quinta-feira, o representante da Ucrânia junto à OSCE declarou que a entidade registrou uma “invasão direta russa” nas regiões orientais ucranianas, mas disse que se referiu apenas à “dezena” de “soldados russos que cruzaram a fronteira sem querer há dois dias”, como foi anunciado pelas autoridades de Kiev na terça-feira.

Um líder separatista reconhece que soldados russos lutam em suas filas / Reuters Live!

Aleksandr Zajarchenko, primeiro-ministro da autoproclamada República Popular de Donetsk, afirmou, em uma entrevista com o canal oficialista Rossiya 24, que Kiev quer justificar sua derrota no campo de batalha inventando uma agressão russa, que não ocorreu realmente.

Ao mesmo tempo, reconheceu ser verdade “e nunca o negamos, que junto a nós combatem muitos russos, de 3 mil a 4 mil”, disse, agradecendo, a seguir, aos voluntários que o apoiam. “Entre nós há soldados na ativa combatendo, homens que em vez de ir para a praia preferem passar suas férias com a gente, entre seus irmãos que estão lutando por liberdade”, explicou.

A esta altura já não é segredo para ninguém que há destacamentos de nacionalistas russos lutando na Ucrânia. Foi o que disse recentemente ao EL PAÍS o escritor e político de oposição ao Kremlin Eduard Limonov, líder do banido Partido Nacional-Bolchevique, acrescentando que vários grupos de seus homens estão combatendo no leste da Ucrânia. Ele afirmou ainda que gostaria de se envolver também na província de Carcóvia, onde cresceu e que faz limite com as rebeldes Donetsk e Lugansk, na luta contra o Governo de Kiev.

Os Estados Unidos e a Alemanha pediram explicações pela presença de soldados russos em território ucraniano, dias depois de as tropas ucranianas anunciarem a captura de militares russos em seu território. A porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Jan Psaki, disse, na quarta-feira, que as incursões “indicam o desenvolvimento de uma contraofensiva dirigida pela Rússia em Donetsk e em Lugansk”.

Contraofensiva separatista

A contraofensiva bem-sucedida lançada esta semana pelos separatistas obrigou as forças de Kiev a abandonarem vários pontos estratégicos, entre os quais se destacam a colina de Saúr-Moguila e a cidade de Novoazovsk.

Os ucranianos reconheceram na quarta-feira a perda dessa cidade estratégica –denunciaram que está “nas mãos das tropas russas”–, que abre o caminho dos separatistas até Mariúpol, a segunda cidade mais importante da província de Donetsk e seu principal porto no mar de Azov. O Governo de Kiev enviou reforços urgentes a Mariúpol, que fica a apenas 45 km de Novoazovsk e em cuja direção os rebeldes estão avançando. Antes de conquistar Mariúpol, os pró-russos terão que tomar a localidade de Shirókino, situada entre as duas cidades.

Além da queda de Novoazovsk, Kiev admite a perda de outras localidades, tanto nos arredores dessa cidade quanto nas regiões de Starobeshevo e Amvrosievka, mais ao norte. As forças governamentais também foram expulsas do morro Saúr-Moguila, que, com seus 277,9 metros de altura, domina a estrada para Donetsk e Lugansk. Esse ponto estratégico vital também foi palco de combates acirrados durante a Segunda Guerra Mundial, e em seu alto há um monumento que celebra a façanha das tropas soviéticas. A guerra civil atual deixou o monumento quase completamente destruído. A televisão russa mostrou na quinta-feira uma reportagem enviada por seu correspondente a partir da colina, entrevistando separatistas. Até então, Kiev continuava a declarar que ainda controlava o enclave.

As derrotas na frente de combate coincidem com um período de deterioração da situação política, depois que, três dias atrás, Poroshenko anunciou que vai convocar eleições parlamentares para o próximo 26 de outubro. O presidente ucraniano, que não possui nenhuma força política própria, vai procurar remediar essa falta nas eleições com um movimento que acaba de criar. Enquanto isso, outros partidos estão sofrendo deserções e divisões. Assim, abandonaram o partido da ex-primeira-ministra Yulia Timoshenko o atual primeiro-ministro Arseni Yatseniuk, o presidente do Parlamento, Alexandr Turchinov, e outros funcionários importante. À crise política se soma a econômica, com uma grivna cada dia mais fraca. http://brasil.elpais.com/brasil/2014/08/28/internacional/1409224188_996154.html

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