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Crise e especulação fazem tradicionais bares britânicos fecharem as portas

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 24, 2014

No século XXI, ‘pubs’ ingleses perdem espaço

 “Pub” fechado em Londres: a cada semana, 51 deles encerram as atividades no Reino Unido Foto: Divulgação “Pub” fechado em Londres: a cada semana, 51 deles encerram as atividades no Reino Unido – Divulgação

LONDRES – A cervejinha do final do dia está longe de ser um prazer exclusivamente brasileiro. Nada mais britânico do que o velho hábito de parar num local para uma pint depois do expediente. Local é como os britânicos se referem às public houses, ou pubs, e pint, o tradicional copo de 568 ml de cerveja, mais uma medida idiossincrática inglesa. Mas o futuro destas casas que se tornaram uma instituição nacional há muitos séculos pode estar a perigo. A cada semana, 31 fecham as portas no Reino Unido.

Cerca de 3% dos pubs nos subúrbios estão à venda ou estão sendo usados para outros fins nos últimos seis meses. Os dados são do Camra, fundado em 1971 que, desde então faz campanha pela preservação das cervejas tradicionais, os pubs e seus clientes. Este é um dos vários grupos que têm surgido no país em defesa das public houses. Na semana passada, o Camra levou a campanha para o famoso festival de cerveja do Reino Unido e quer que os 55 mil frequentadores do evento promovam a causa junto a seus representantes no Parlamento.

— Os pubs mantêm o espírito das comunidades. Só depois que os perdem é que as pessoas se dão conta da importância que tinham. Perdem os centenas de milhares de trabalhadores do setor e vilarejos e bairros — disse ao GLOBO, Thomas Stainer, do Camra.

O ponto de encontro britânico por excelência, onde as populações locais conversam sobre a rotina no trabalho ou esquecem de tudo para assistir a uma boa partida de futebol, outra paixão nacional, aos poucos vem se transformando em supermercados, imobiliárias ou até mesmo apartamentos residenciais. Impossível resistir às pressões da sanha imobiliária que tomou conta do país na última década. Mas esta não é a única explicação para o que vem acontecendo. Dados da associação de pubs e cervejarias indicam que a população está consumindo 23% menos cerveja do que uma década atrás.

Prova disso, está no fato de que, para se reinventar, muitos agora tentam melhorar a qualidade dos vinhos e drinques que servem aos clientes, assim como a comida. Os pubs nunca foram conhecidos pela gastronomia. Limitavam-se os pratos locais, como o fish & chips (peixe empanado com batata frita), com grandes quantidades. Mas de uns tempos para cá, surgiu uma geração de gastropubs, com boa cozinha, alguns até estrelados em guias de gastronomia.

A crise financeira internacional que começou nos EUA em setembro de 2008 e ainda paira sobre as economias europeias também teve a sua dose de culpa. Cerca de 7.000 pubs fecharam as portas por dificuldades financeiras desde então.

— O modelo de negócio deles não parece estar mais funcionando. As grandes companhias que hoje detêm o monopólio dos pubs têm dívidas enormes e, muitas vezes, preferem vendê-los para construtoras ou supermercados para fazer dinheiro rápido — afirma Stainer.

O período mais sombrio para os pubs foi logo depois da crise, entre janeiro e julho de 2009, quando fechavam a uma média de 52 por semana. Ainda há 54.490 em todo o país. Para preservá-los, várias campanhas querem dar garantias aos pubs na legislação. Por incrível que pareça, num país, onde tudo é sempre muito detalhista, a lei é extremamente flexível para a conversão dos pubs. Ao contrário do que acontece para outras construções, não há exigências de permissões para as transformações, o que os torna presa fácil para empreendedores.

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— Queremos que haja esta exigência e que a população local seja consultada antes das transformações.

O festival de cerveja inclui a apresentação de 900 tipos distintos de ales, cidras e outros em 29 bares. Cerca de 50 parlamentares já assinaram a petição para que se fechem as brechas legais para proteger os pubs.

A política para os pubs sempre foi acompanhada de perto pelos governos. Até 1988, seguindo uma norma criada logo depois da Primeira Guerra Mundial, eles abriam às 10h e fechavam às 22h, mas passavam a tarde fechados. A ideia era evitar que os trabalhadores perdessem o foco. Hoje, ficam abertos o dia inteiro. Mas têm horário para fechar para evitar bagunça na rua à noite. VIVIAN OSWALD – Read more: http://oglobo.globo.com/mundo/crise-especulacao-fazem-tradicionais-bares-britanicos-fecharem-as-portas-13710884#ixzz3BJGL9AqB

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