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Relatório anual do ISP mostra que índices de violência contra mulher seguem elevados

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 22, 2014

Dados do Dossiê Mulher 2014 revelam que, no ano passado, 356 foram assassinadas no estado, sendo 52 vítimas de ex-maridos

Rosana é abraçada por Glaucy na Deam de Caxias: ex-companheiro matou sua filha de 17 anos – Gustavo Miranda / Agência O Globo
RIO — Na última terça-feira, Rosana Silva Lopes Ribeiro ficou frente a frente com o assassino de sua filha Camila, de 17 anos, numa sala da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Duque de Caxias. Ali, ela tentava entender por que seu ex-companheiro Jaime Pereira de Melo, a quem nunca denunciou pelas ameaças e agressões verbais que sofreu, resolveu atacar a adolescente a facadas. O crime aconteceu três dias antes. Rosana visitava a irmã quando a filha mais velha, Glaucy, de 19 anos, ligou para dizer que Jaime estava na casa da família e exigia sua presença. Rosana chegou a falar com o ex-companheiro por telefone e, minutos depois de começarem a discutir, ouviu um grito.

— A ligação caiu. Eu pensei que Jaime tinha agredido uma das meninas e saí correndo. Foi pior: ele tinha matado Camila. Fez isso para me machucar e disse que não se arrepende. Ela completaria 18 anos no domingo passado — contou Rosana.

A tragédia de Rosana faz parte de uma rotina de violência doméstica que resulta, diariamente, em centenas de registros de crimes como ameaça, agressão e estupro. Dados do Dossiê Mulher 2014, que será lançado, nesta sexta-feira, pelo Instituto de Segurança Pública, revelam que, em relação a 2012, houve, no ano passado, um aumento de 20,67% nos casos de assassinato. Foram mortas 356 mulheres no estado — 52 delas atacadas por ex-maridos.

Numa comparação de 2013 com 2012, os estupros caíram 2,44%. Mesmo assim, as estatísticas do crime são altas: foram 4.871 casos, o que dá uma média de 13 por dia, ou um a cada duas horas.

TODOS OS DIAS, CENTENAS DE CASOS

Levando em consideração uma série de crimes ocorridos no ano passado, com vítimas tanto na população masculina como feminina, o dossiê revela que as mulheres foram o principal alvo. No caso de estupro, elas representaram 82,8% das vítimas. Nos demais registros desse crime, os homens foram vítimas dos ataques (até 2009, para eles, esse crime era classificado como atentado violento ao pudor, mas depois também passou a ser considerado estupro). Ainda segundo o dossiê, entre as pessoas que sofreram ameaças em 2013, 65,9% eram mulheres.

No caso de lesão corporal dolosa, elas responderam por 63,6% dos registros. As mulheres também foram a maioria das vítimas nos casos de tentativa de estupro (90,3%), violação de domicílio (63,5%), supressão de documento (56,8%), calúnia, injúria ou difamação (72,3%) e constrangimento ilegal (59,6%). De acordo com o levantamento, grande parte dos ataques ocorreu no ambiente doméstico.

Nos oito anos transcorridos desde a aprovação da Lei Maria da Penha (11.340/2006), criada para levar agressores de mulheres à cadeia, a quantidade de registros no Estado do Rio deu um salto. O Dossiê Mulher 2014 revela que houve, em 2013, 56.377 casos de agressão, ou seja, 154 por dia, número dez vezes maior que o computado em 2005 (15).

VIOLÊNCIA ENRAIZADA NA CULTURA MASCULINA

Para especialistas em segurança pública, a curva ascendente dos últimos oito anos está relacionada à criação da rede de atendimento em unidades policiais, que encorajou mulheres a quebrarem o silêncio e denunciarem agressores. Mas os números mostram que ainda não foi possível reverter o quadro desse tipo de violência que, segundo eles, está enraizado na cultura masculina.

— O Estado do Rio começou a tratar a violência contra a mulher como grave questão de segurança pública antes mesmo da Lei Maria da Penha. Foram criadas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e abertos núcleos de apoio nas unidades distritais da Polícia Civil. Além disso, houve campanhas para incentivar denúncias e a pacificação de comunidades, iniciativas que aumentaram a confiança no poder público e fizeram crescer os registros, reduzindo a subnotificação — afirmou o presidente do ISP, Paulo Augusto Souza Teixeira.

A pesquisadora Andreia Soares Pinto também chama a atenção para o aspecto cultural na questão da violência contra a mulher.

— A ideia (com o dossiê) é tentar trazer o máximo de dados sobre o problema da violência doméstica, que não passa somente pela agressão física, mas também pela sexual, patrimonial, moral e psicológica. Muitas vezes, por uma questão cultural, a mulher não percebe que é vítima de um verdadeiro crime — disse Andreia.

EXAME DE CORPO DE DELITO É FUNDAMENTAL

Segundo o Dossiê Mulher 2014, dos 4.871 casos de estupro de mulheres ocorridos em 2013, 2.270 (46,6%) foram praticados por ex-companheiros, parentes ou conhecidos das vítimas. A delegada Cristiana Bento, da Deam de Duque de Caxias, explica que a ação policial depende de provas, como o exame de corpo de delito.

— Em casos de agressão ou estupro, o exame de corpo de delito é fundamental — alerta a delegada Cristiana Bento.

As vítimas também devem ser firmes, para que a punição dos agressores aconteça. Para a especialista em antropologia de gênero e da família da Universidade de Brasília, Lia Zanota Machado, as mulheres hoje estão mais conscientes:

— Infelizmente, muitos homens ainda têm uma cultura da época colonial: acreditam ter a posse de suas mulheres. O que realmente mudou foi a visão da mulher, que passou a acreditar nos seus direitos e a acionar a polícia ou a Justiça.

A polícia prendeu, nesta quinta-feira, um homem acusado de matar a ex-mulher, a empresária Adenilda Amaro da Silva, na segunda-feira. O filho caçula do casal, de apenas 7 anos, testemunhou o crime. A vítima havia feito cinco registros de ameaça e um de agressão contra o ex-marido, que estava impedido pela Justiça de se aproximar dela. Mas, por falta de um exame de corpo de delito, não foi possível mantê-lo preso. Elenilce Bottari – Read more: http://oglobo.globo.com/rio/relatorio-anual-do-isp-mostra-que-indices-de-violencia-contra-mulher-seguem-elevados-13690680#ixzz3B7bk2i28

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