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Aluna da USP: Fui estuprada em festa da faculdade e queriam abafar o caso

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 20, 2014

Rosa, nome fictício, foi estuprada em uma festa da Medicina da USP em 2011Rosa, nome fictício, foi estuprada em uma festa da Medicina da USP em 2011

Fui estuprada em 2011, quando era caloura, numa festa tradicional da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo) chamada “Carecas no Bosque”.

Na festa, há barracas para os esportes [o evento é organizado pela AAAOC, Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz] – é uma tenda em que eles vendem bebidas e umas prostitutas fazem body shots [colocam bebida entre os seios]. Mas não sei se elas fazem programa na festa.

Eu estava em uma das barracas da festa, desacordada porque tinha bebido demais. E um homem, parece que um técnico de ar condicionado, me estuprou.

Eu só fui acordar e tomar [alguma] consciência do que estava acontecendo no hospital. Fui retirada da festa em uma ambulância – acho que umas 500 pessoas viram isso. Fui para o Hospital das Clínicas, e a médica que me atendeu quis fazer um exame de corpo delito. Mas, como eu não estava acreditando que pudesse ter acontecido, eu não quis fazer. E me levaram de lá.

Os amigos que me acompanhavam me levaram para a casa de um outro estudante, eu comi e, então, eles me convenceram a voltar a um hospital e tomar os antirretrovirais [procedimento comum em casos de estupro para tentar prevenir a infecção por HIV] porque o cara não usou camisinha.

Parece que bateram no cara e ele ficava repetindo: “eu paguei para comer a puta, eu paguei para comer a puta”. Meu advogado da época me contou que existe um depoimento dos seguranças [à polícia], segundo o qual ele tinha dado dinheiro para entrar na barraca.

Quando cheguei em casa, contei para a minha mãe. Ela me ajudou como pôde e conseguiu marcar um exame no domingo com a minha ginecologista, que me examinou e fez um laudo.

Na segunda-feira, fui atrás do pessoal que organizava a festa. Mas eles me disseram para conversar com um amigo meu, que era quem tinha me encontrado. Esse amigo me contou: “quando eu cheguei lá, você estava deitada de bruços, ele estava deitado em cima de você, com a calça abaixada”.  A festa aconteceu no sábado e ele só me disse isso, desse jeito, na segunda-feira.

O pessoal da Atlética me desencorajou a fazer a denúncia, falando que eu não tinha como provar, que tinha uma parcela de culpa porque estava muito bêbada. Fiz o B.O. [boletim de ocorrência] só na terça.

Eu fiquei quase um mês sem ir para a aula. No primeiro semestre [o do estupro] eu meio que levei com a barriga, fiz as provas, e consegui passar. Eu não tinha energia para fazer as coisas, eu sentia vergonha, não queria encontrar as pessoas, coisas assim. Eu queria apagar o que tinha acontecido, queria que as pessoas não soubessem.

Naquela época procurei o Grapal [Grupo Psicológico de Apoio ao Aluno], que foi o único lugar em que eu me senti acolhida – eu fiz umas três consultas, mas depois eu parei por dificuldade de locomoção (o Grapal é em Pinheiros e as aulas estavam acontecendo na Cidade Universitária). E eu faço terapia até hoje. Me consulto com uma terapeuta especialista em trauma por violência sexual.

Na faculdade, diziam que eu ia destruir a Atlética, que isso [o estupro] não podia vazar. Um ex-presidente da Atlética disse: “a gente precisa abafar: primeiro, para proteger a vítima e, segundo, porque isso vai destruir a festa”.

Eu procurava as pessoas para saber se testemunhariam, e eu sentia que elas se mostravam receosas e esquivas. Todo mundo falava que eu tinha que deixar isso para trás, que tinha que tocar a minha vida para a frente. Chegavam a falar que eu não ia conseguir provar.

Eu sentia que eu estava dando murro em ponta de faca, tentando dar continuidade ao processo, não tendo ninguém para me apoiar e para colaborar, e eu desisti. Falei “não quero mais saber disso, vou tocar a minha vida, minha faculdade, e fingir que nada aconteceu”.

Me incomodava muito andar pela faculdade mesmo, ter que lidar com essas pessoas.

Até hoje, não sei o que aconteceu com o cara [estuprador]; se ele continua trabalhando aí. Pode ser que ele ainda esteja trabalhando na faculdade. Sei que, enquanto o processo estava correndo, ele estava aqui na faculdade, porque as pessoas chegavam para conversar com ele.

Reviver isso está sendo difícil, mas a cada vez que a história vai passando, parece que melhora; eu consigo digerir um pouco mais. Sempre fui feminista, mas, com certeza, isso ter acontecido, essa falta de estrutura, de apoio institucional, foi uma coisa que me mobilizou muito a me organizar. Agora, eu tenho um pouco de medo de o caso vir a público e a reação ser de culpabilização, de dúvida. André Cabette Fábio – http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/08/19/aluna-da-usp-fui-convencida-de-que-nao-devia-denunciar-o-estupro-que-sofri.htm

Festa para calouros, trotes têm histórico de violência

Nessa época do ano, é comum que alunos veteranos preparem a “recepção” dos novos colegas em faculdades e universidades. Do tradicional corte de cabelo aos banhos de tinta, os trotes costumam ser apenas uma brincadeira saudável. No entanto, são frequentes os casos de trotes violentos em todo o país. Um dos mais trágicos foi o que levou à morte do estudante Edison Tsung Chi Hsueh, em 1999. Calouro da Faculdade de Medicina da USP, ele foi encontrado morto dentro de uma piscina após um churrasco de recepção. Quatro pessoas chegaram a ser acusadas por sua morte, mas o caso foi arquivado em 2006. Veja outros Leia mais César Rodrigues/Folhapress

Polícia ainda investiga estupro de aluna na medicina da USP de 2011

Há três anos, a 1ª Delegacia da Mulher de São Paulo investiga um caso de estupro na Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). Rosa*, 23, afirma ter sofrido violência sexual no dia 2 de abril de 2011, em uma festa tradicional da instituição chamada “Carecas no Bosque”.

O evento é o mesmo em que ocorreu uma denúncia de homofobia este ano.

Segundo Nereide de Oliveira, advogada da vítima, a expectativa é que o caso seja encaminhado ao Ministério Público até setembro de 2014. Como o inquérito corre sob sigilo, nem a advogada nem a SSP (Secretaria de Segurança Pública) informaram detalhes sobre a investigação. O órgão público também não esclareceu por que o processo se arrasta há três anos — limitou-se a informar que a delegada responsável é Celi Paulino Carlota e esta não concedeu entrevista à reportagem apesar dos pedidos encaminhados.

Conforme o UOL apurou, até o momento, ao menos 15 testemunhas foram ouvidas, sendo que o relato principal – do estudante que flagrou a violência — só foi colhido no dia 14 de julho deste ano.

A estudante era caloura de medicina e foi violentada em uma instalação da festa. Segundo os relatos dos colegas de Rosa, o estuprador foi flagrado por alunos e agredido no próprio evento. Atordoada, Rosa foi levada ao hospital e só foi registrar queixa três dias depois do fato.

O agressor chegou a ser perseguido e espancado na festa, mas não foi levado à delegacia naquela noite.

O evento aconteceu em um sábado e, no dia seguinte, Rosa procurou sua ginecologista particular para ser examinada em busca de evidências de um estupro. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o laudo do exame está apensado ao inquérito do caso, mas é inconclusivo.

A estudante afirma que a direção da Atlética da época a desencorajou a levar a denúncia adiante. Um dos colegas que a ajudaram a se vestir quando foi encontrada teria lhe dito na época que não iria depor na delegacia por não querer ter seu nome envolvido em um caso de estupro.

Não se comenta o caso

A diretoria da AAAOC (Associação Atlética Acadêmica Oswaldo Cruz) é renovada anualmente. A reportagem entrou em contato com o presidente da gestão atual, Douglas Rodrigues, mas não obteve resposta às perguntas enviadas por e-mail. O presidente da gestão de 2011, responsável pelo evento em que ocorreu a violência sexual, Diego Munhoz, disse apenas que estava trabalhando durante a festa, não acompanhou o caso de perto na noite do estupro e preferiu não conversar com a reportagem.

O professor Edmund Chada Baracat, presidente da Comissão de Graduação da Faculdade de Medicina da USP, afirmou que a faculdade não tem conhecimento do caso — Rosa relata que foi atendida pelo Grapal [Grupo Psicológico de Apoio ao Aluno]. A abertura de um processo interno de apuração dependeria de um trâmite burocrático que não foi realizado.

Baracat contou que a instituição acompanha outro inquérito policial de estupro, também de 2011 — este, de acordo com a assessoria de imprensa da faculdade, teria ocorrido na Casa do Estudante de Medicina e envolve um estudante da faculdade e uma aluna de Enfermagem.

Comissão e protocolo

Após algumas denúncias, a direção da Faculdade de Medicina criou uma Comissão de Violência e Preconceito, Consumo de Álcool e Drogas. Neste semestre, o grupo está fazendo um diagnóstico da situação e faz um levantamento de casos de violência sexual na faculdade. Há três casos sendo apurados atualmente: esse estupro na Casa do Estudante, um abuso ocorrido em 2013 e um caso de violência sexual que envolve a AAAOC datado de 2014.

O caso de Rosa, ocorrido em 2011, ainda não entrou no levantamento.

De acordo com o professor Paulo Saldiva, presidente do grupo, a comissão concluiu que falta um canal ao qual as alunas possam recorrer nesse tipo de situação. “Nunca tínhamos previsto isso, e fomos confrontados com uma situação que necessita de um regramento. Criaremos um protocolo sobre os procedimentos que uma garota poderá trilhar, caso ocorra violência sexual”, disse. André Cabette Fábio – http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/08/19/policia-ainda-investiga-estupro-de-aluna-na-medicina-da-usp-de-2011.htm

Alunos da USP ficam pelados para hostilizar feministas em São Carlos

01.mar.2013 – Alunos da USP hostilizaram feministas durante trote na última terça-feira (26) em São Carlos. Alguns estudantes chegaram a ficar pelados e simularam sexo com bonecas infláveis Leia mais Divulgação/Frente Feminista

Medicina da USP discute protocolo após denúncias de violência sexual

Além do caso da estudante Rosa*, supostamente estuprada em 2011 numa festa da Atlética da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), outro mais recente tem movimentado a instituição. A faculdade investiga um caso de violência sexual envolvendo uma aluna do curso em 2013.

Como este e outros casos vieram a público e grupos feministas formados por alunas da faculdade têm pressionado por respostas, a direção da Faculdade de Medicina planeja criar um protocolo para atendimento a vítimas e encaminhamento interno para novas denúncias.

De acordo com o professor Paulo Saldiva, presidente da comissão responsável pelo protocolo,  a ideia é criar um conjunto de etapas para agilizar os processos e oferecer apoio às vítimas desse tipo de agressão. Um professor da Faculdade de Medicina ficaria responsável por centralizar esse tipo de denúncia. Também está em análise a criação de uma ouvidoria.

Caso encerrado e depois reaberto na USP

Um caso de assédio relatado por uma aluna do 4º ano de medicina foi considerado encerrado pela Comissão de Graduação da Faculdade de Medicina. Segundo consta na ata da reunião da Congregação da faculdade do dia 25 de abril, a conclusão foi de que “o assédio não poderia ser caracterizado, visto que as pessoas envolvidas agiram de comum acordo”. Cíntia*, a aluna que fez a denúncia, nega.

A investigação também constatou que “todos ingeriram bebida alcoólica antes do ocorrido”. Além de Cíntia, foram ouvidos os dois veteranos acusados de abuso e testemunhas. Gravações de uma câmera de segurança também foram consultadas.

O resultado foi recebido sob o protesto de alunas integrantes do Coletivo Feminista Geni da instituição, que acusaram a investigação de reduzir o problema ao consumo de álcool.

Segundo Paulo Saldiva, as investigações foram reabertas pela comissão especial e estão em andamento.

Para Ana Cunha, 25, aluna do 3º ano de medicina e integrante do coletivo feminista, a movimentação da faculdade é positiva. “O próprio debate que gerou essa comissão é vitorioso”. Ela teme, no entanto, que os trabalhos não tenham efeito prático.

“Temos medo de que a comissão se torne apenas consultiva, e de que caia em moralismo, de que trabalhe apenas para que não tenha álcool, sexo e festas na faculdade, ao invés de avançar sobre a violência sexual”, afirma. André Cabette Fábio – http://educacao.uol.com.br/noticias/2014/08/19/medicina-da-usp-discute-protocolo-apos-denuncias-de-violencia-sexual.htm

*Os nomes são fictícios

Alunos da USP ficam pelados para hostilizar feministas em São Carlos

01.mar.2013 – Alunos da USP São Carlos hostilizaram feministas durante trote na última terça-feira (26). Alguns estudantes chegaram a ficar pelados e simularam sexo com bonecas infláveis Leia mais Divulgação/Frente Feminista

Uma resposta to “Aluna da USP: Fui estuprada em festa da faculdade e queriam abafar o caso”

  1. Arwen said

    Republicou isso em Arwen Releiturase comentado:
    Estamos em 2014 e não podemos mais permitir que comportamentos primitivos e animalescos como o estupro continuem a ocorrer. Um homem que tem prazer em abusar de uma mulher esteja ela desperta ou não, use uma micro saia ou uma burca deve responder por seu crime. Ter prazer com o sofrimento alheio é uma doença da alma. Uma deficiência de caráter que deve ser combatida desde a infância com pais e mães ensinando aos filhos a respeitar o semelhante e que sexo não é brinquedo. Sedo é o contato mais íntimo entre duas pessoas e forçar outro ser humano é violar não só o seu corpo, mas a individualidade e o psicológico. Causar dor a outro ser humano não é uma brincadeira. Pedir que o agredido se cale e aceite a humilhação é permitir que outros mais sofram a mesma agressão.

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