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‘Cabos do Google têm proteção contra mordidas de tubarão’

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 18, 2014

Apresentação em evento da empresa tratando de nuvem gera factoide que se alastra despropositadamente na mídia mundial

Flagrante de ataque de tubarão a cabo submarino, arquivado em 2010 no YouTube Foto: Reprodução Flagrante de ataque de tubarão a cabo submarino, arquivado em 2010 no YouTube – Reprodução

RIO – Um comentário feito por um funcionário do Google durante evento nos EUA deu a entender que o Google está reforçando seus cabos submarinos de fibra ótica com kevlar para reduzir riscos de danos causados por mordidas de tubarões esfomeados. A notícia foi dada durante o Google Cloud Roadshow realizado dia 7 de agosto em Boston, nos EUA.

Na ocasião, Dan Belcher, gerente de produto do Google, falou sobre a tática da empresa para tornar seus cabos à prova de tubarões. Tal menção desencadeou uma onda de matérias na mídia mundial falando sobre a “novidade”.

No entanto, segundo relatório oficial do ICPC (International Cable Protection Committee), de outubro de 2011, “ataques causados por peixes [menores] se restringem aos cabos submarinos telegráficos antes de 1964. Tais ataques eram causados por odor, cor, movimento ou campo eletromagnético ao longo desses cabos. Quanto aos tubarões, exemplo marcante se deu entre 1985 e 1987, quando um cabo doméstico de fibra ótica instalado nas Ilhas Canárias foi danificado por exemplares deste peixe a mais de 1.000 metros de profundidade, comprovados pelas marcas de dentes encontradas no cabo”.

Ainda segundo o relatório, “após os melhoramentos no design dos cabos submarinos a partir de 1988, com a inclusão de camadas metálicas de proteção, não houve mais evidências de danos causados por peixes — incluindo tubarões — em sistemas usando este design aprimorado”. Quando ao material kevlar — resistente fibra sintética de para-aramida criada pela Dupont —, ele já vem sendo usado rotineiramente há anos em cabos submarinos, juntamente com outros produtos similares, como Vectran e Twaron.

MAGNETISMO EM FIBRA ÓTICA?

Alguns sites explicaram que o gosto dos tubarões por abocanhar cabos submarinos se deve à sua sensibilidade por campos magnéticos, que atraem esses predadores marinhos. Mencionaram também a crença de que esses predadores marinhos interpretavam que os cabos eram peixes em agonia. No entanto, quando se trata de cabos de fibra ótica, é apenas luz trafegando nesses dutos. E o fluxo de luz é diferente do fluxo de elétrons em um cabo metálico — a luz não gera campo magnético fora do cabo. E para mostrar a fome dos tubarões, ilustrando a “novidade”, diversos sites chamaram este interessante vídeo:

Só que o vídeo foi enviado para o YouTube em 2010.

CURIOSIDADE, AÇÃO HUMANA E CAUSAS NATURAIS

Descartada a explicação magnética, outras causas podem levar os tubarões a atacar os cabos. A simples curiosidade dos predadores é apontada como outro possível motivo. “Se você tiver apenas um pedaço de plástico com formato de cabo, há uma boa chance de que eles [tubarões] vão mordê-lo também”, disse ao site “Wired” Chris Lowe, que gerencia o laboratório de tubarões da California State University, em Long Beach. O apetite de tubarões por cabos começou a ser relatado na década de 1980, quando houve diversos incidentes de ataques desses animais a essas estruturas condutoras.

Mas cabos submarinos sofrem diversos outros riscos nas profundezas, como âncoras de embarcações e redes de pescaria de arrastão. De acordo com o mesmo relatório oficial do ICPC, cerca de 70% de todos os danos afetando cabos submarinos são causados por “agressões externas” atribuídas a atividades de pescaria e ancoragem, ao passo que cerca de 12% são causados por circunstâncias naturais, como terremotos submarinos, falhas geológicas e subsequentes deslizamentos de terra; correntes marítimas de densidade; correntes e ondas; tsunamis, tempestades e elevação do nível do mar; furacões e condições climáticas extremas; icebergs e erupções vulcânicas submarinas. Falhas de cabos submarinos ocorridas a menos de 200 metros de profundidade são em sua maioria causadas por atividades humanas, e danos ocorridos em águas com mais de 1.000 metros de profundidade são mais atribuídos a causas naturais.

GOOGLE FIBER

O Google espera reduzir drasticamente os danos a cabos sob o mar reforçando a estrutura desses dutos com diversas camadas “anti-impacto e anti-movimentos fortes”. Recentemente, o Google e cinco companhias asiáticas de comunicação e telecomunicações concordaram em investir cerca de US$ 300 milhões para desenvolver e operar uma rede de cabo atravessando o Oceano Pacífico, para conectar EUA e Japão. A rede de cabo, que receberá o nome de “Faster”, terá uma capacidade inicial de 60 Tbps (terabits por segundo) e conectará Los Angeles, Portland, San Francisco, Oregon e Seattle a Chikura e Shima no Japão.

Uma especificação do “Google fiber”, escrita em termos menos técnicos e destinada a usuários do serviço, e que reforçou o comentário de Belcher, explica que “Cabos de fibra ótica são frequentemente atados juntos quando são instalados em uma rede. Uma vez que essa fibra é feita de vidro, material bastante frágil, o revestimento evita que o cabo se rompa. Um cabo ótico geralmente inclui, da fora para dentro, uma camada de poliuretano, uma camada protetora de kevlar, um envoltório plástico em diferentes cores (de modo que técnicos possam seguir o caminho de cada fibra) e, no centro de tudo, a fibra de vidro”. Já o ICPC oferece uma descrição mais detalhada de um típico cabo moderno:
Camadas de um cabo submarino de fibra ótica – Carlos Alberto Teixeira, sobre esquema do ICPC

De acordo com a entidade, a construção de um cabo submarino atual varia de acordo com o fabricante e com as condições do leito marinho. Por exemplo, alguns cabos podem não ter armaduras especiais em locais profundos e estáveis, ou uma ou mais camadas de armadura em regiões mais conturbadas, como as áreas costeiras.

HISTÓRIA

O primeiro cabo transoceânico de fibra ótica, o TAT-8, foi instalado em 1988 unindo os EUA ao Reino Unido e à França e era capaz de sustentar até 40 mil conversas telefônicas simultâneas — dez vezes mais que o então mais recente cabo telefônico baseado em condutores de cobre. Atualmente, um único cabo é capaz de sustentar milhões de conversas telefônicas, junto com grande tráfego de vídeo e dados internet.

Cabos submarinos de fibra ótica dependem de uma propriedade de fibras de puro vidro, em que a luz é guiada por reflexão interna no próprio meio. No entanto, uma vez que o sinal de luz perde intensidade em sua rota, é necessário instalar repetidores a intervalos regulares de modo a restaurar a transmissão. Tais repetidores são hoje baseados em tecnologia de amplificação ótica, que requer curtas seções de fibra ótica “dopada” com o elemento químico érbio sejam entremeadas no sistema de cabos. Essas seções são então energizadas com raios laser que intensificam o sinal luminoso de entrada. Read more: http://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/cabos-do-google-tem-protecao-contra-mordidas-de-tubarao-13641193#ixzz3Am50KLBv

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