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Archive for 17 de agosto de 2014

Um veterano do Holocausto devolve uma medalha a Israel pela ofensiva em Gaza

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 17, 2014

Zanoli foi declarado “Justo entre as Nações” por salvar um menino judeu em 1943

Protesto contra a ofensiva israelense em Gaza, hoje em Londres. / IAN KINGTON (AFP)

Um holandês de 91 anos devolveu a Israel o título honorífico que recebeu depois de salvar um menino judeu durante a ocupação nazista em sinal de protesto pela ofensiva em Gaza, depois da morte de seis membros de sua família durante um bombardeio israelense sobre a Faixa, no mês passado.

O homem, Henk Zanoli, foi declarado “Justo entre as Nações” depois salvar, em 1943, o menino judeu Elhanan Pinto, cujos pais haviam morrido em um campo de concentração. Zanoli escondeu o menino em sua casa até libertação da Holanda. A família de Zanoli correu um risco importante ao esconder o menino. Os Zanoli haviam expressado em várias ocasiões sua oposição à ocupação. O pai de Henk foi enviado ao campo de extermínio de Dachau e morreu no campo de Mathausen. O bombardeio israelense do dia 20 de julho acabou com as vidas da família do marido da sobrinha-neta de Zanoli, a diplomata holandesa Angelique Eijpe, casada com o economista Ismail Ziadah. Os projéteis mataram a matriarca da família Ziadah, Miftiya, de 70 anos, três de seus filhos, Jamil, Omar e Youssef, e a esposa e o filho de Jamil, Bayan e Shaaban, de 12 anos.

Depois receber a notícia do bombardeio, Zanoli devolveu o título que recebeu, assim como sua mãe – esta a título póstumo –, com uma carta ao embaixador de Israel na Holanda, Haim Davon, na qual descreve os esforços realizados por sua família para salvar o menino. “Tendo em conta este passado, é particularmente trágico que hoje, quatro gerações depois, nossa família enfrente a morte de seus entes queridos em Gaza”, escreveu.

“Para mim, conservar esse título seria um insulto à memória de minha valente mãe, que arriscou sua vida e a de seus filhos lutando contra a opressão e pela preservação da vida humana”, afirmou Zanoli. O Exército israelense não se pronunciou, segundo explica o jornal Haaretz, sobre se o bombardeio foi acidental ou intencional e se limitou a responder que as Forças de Defesa tentam evitar as baixas civis a todo custo. O Exército acrescentou que todos os incidentes irregulares estão sob investigação. http://brasil.elpais.com/brasil/2014/08/16/internacional/1408185293_190049.html

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Centro de isolamento do Ébola foi atacado e doentes estão em fuga

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 17, 2014

Centro de isolamento do Ébola foi atacado e doentes estão em fuga

Homens armados atacaram durante a noite uma ala de um centro de isolamento de doentes com Ébola em Monróvia, capital da Libéria, colocando em fuga 29 doentes, disseram, este domingo, testemunhas.

foto Carl de Souza/ AFP

“Eles arrombaram as portas e saquearam o local. Os doentes fugiram todos”, disse Rebecca Wesseh, que testemunhou o ataque, citada por agências internacionais. A descrição do ataque foi ainda confirmada por moradores locais e pelo presidente da Associação dos Trabalhadores da Saúde liberiana, George Williams. http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Saude/Interior.aspx?content_id=4081612

Suspeita de ebola em Espanha

Cidadão nigeriano deu entrada na unidade hospitalar espanhola, com sintomas parecidos ao do vírus. Um cidadão nigeriano deu entrada este sábado na unidade hospitalar de Alicante, em Espanha, com febre, inflamação das amígdalas e mal-estar. Face a estes sintomas, há a suspeita de que poderá estar infetado com o vírus do ébola. Nesse sentido, o doente foi transportado para o Hospital de San Juan, unidade referência naquela província em prevenção e tratamento de casos de ébola. Ainda não há confirmação absoluta de que o paciente está infetado com o vírus do ébola, no entanto, este foi isolado e foi ativado o plano de emergência. Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/internacional/mundo/suspeita-de-ebola-em-espanha

Um milhão de pessoas estão em quarentena na África por causa do ebola

A OMS prevê que a epidemia dure “vários meses”

Um menino prepara o pai, com suspeita de ebola, para ser levado a um centro de isolamento. / John Moore (Getty Images)

O surto de ebola que afeta a Guiné, Serra Leoa, Libéria e Nigéria é maior do que indicam as cifras oficiais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Os números foram muito subestimados”, disse a organização em um comunicado. Essa situação supõe que a epidemia ainda durará “vários meses”, acrescenta, e, portanto, a OMS adaptou seus planos de resposta a tais previsões.

A gravidade do cenário levou os três países mais afetados – Guiné, Serra Leoa e Libéria – a decidir não apenas pelo fechamento das fronteiras entre eles para tentar frear os deslocamentos de pessoas infectadas. Também decretaram medidas internas de contenção. Por isso, o Programa Mundial de Alimentos já está atendendo um milhão de pessoas que estão nas zonas de quarentena (os três países têm cerca de 22 milhões de habitantes), e a OMS fez um apelo para que mais países forneçam provisões. Além disso, é temporada de chuvas na região, período que os camponeses da Libéria, por exemplo, chamam de “temporada de fome”, porque as inundações impedem o trabalho nos campos e, ademais, aumentam os casos de doenças como malária, dengue e cólera.

As medidas se tornam cada vez mais drásticas diante da impossibilidade dos países de conter o vírus seguindo os métodos já testados, de identificar e isolar doentes e suspeitos de ter a doença. O último caso que se soube da Nigéria ilustra bem esses problemas. O país não tem fronteira com os outros três, e o ebola chegou de avião no dia 20 de julho, transportado por Patrick Sawyer, um funcionário liberiano que desobedeceu os médicos de seu país e viajou para uma reunião em Lagos apesar de estar em observação porque sua irmã havia morrido de ebola. Sawyer foi hospitalizado logo depois de aterrissar, mas durante o trajeto e a estada no hospital teve contato com cerca de 70 pessoas, das quais 11 deram positivo para o ebola e quatro já morreram.

Uma enfermeira levou o vírus a 450 quilômetros de Lagos

Uma das infectadas foi uma enfermeira do hospital que o tratou. Na quarta-feira, o ministro da Saúde Pública nigeriano, Oneyebucho Chuwaku contou indignado o caso dela. “Desobedeceu às instruções dos médicos” que a mantinham em observação e viajou para Enugu, uma cidade a 450 quilômetros a leste de Lagos. Lá adoeceu e foi confirmado que tinha ebola. Como consequência dessa viagem — cujas causas são desconhecidas — foram identificadas 21 pessoas que tiveram contato com ela, às quais foi feito um acompanhamento. Na quinta-feira, Chukawu diminuiu o alerta ao afirmar que o número de contatos suspeitos era de seis.

Nessa situação, o presidente de Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, pediu ajuda internacional sem rodeios, informa José Naranjo.“Temos muito trabalho a fazer e muito treinamento a receber”, disse. No mesmo sentido, a presidenta liberiana, Ellen Johnson-Sirleaf, afirmou dias atrás que “isso é muito, muito sério”. “Aproximamos-nos de uma catástrofe. Necessitamos de médicos e de toda a ajuda possível. Não é um problema da Guiné, Libéria ou Serra Leoa, é um problema do mundo”.

A ajuda chega pouco a pouco. O Centro de Controle de Doenças (CDC) dos EUA anunciou há alguns dias que vai enviar mais 50 especialistas à região. Além disso, enviou equipes de exames clínicos para acelerar a identificação dos casos positivos. Os EUA anunciaram uma ajuda de 12 milhões de dólares (cerca de 27 milhões de reais) e a China acaba de enviar à Libéria o equivalente a 1,2 milhões de euros (aproximadamente 3,63 milhões de reais), além de um avião com ajuda.

Desde março, a UE destinou 12 milhões de euros à região

Por seu lado, a Comissão Europeia destinou cerca de 12 milhões de euros (cerca de 36,3 milhões de reais) desde março para conter o ebola. A Espanha anunciou na quinta-feira o envio do primeiro avião com 5.400 quilos de material sanitário ao hospital católico de Saint Joseph, em Monróvia, onde foi contagiado o missionário Miguel Pajares. Além dessa contribuição, o Governo espanhol assumiu os custos da remoção do religioso falecido e de uma religiosa não contagiada, Juliana Bonoha Bohé. O Executivo de Mariano Rajoy não informou publicamente o valor dessa operação. Diversas fontes do setor das seguradoras consultadas por este jornal apontam que os gastos oscilam entre 240.000 e 500.000 euros (727.000 reais e 1,5 bilhões de reais). No caso das ONGs, suas seguradoras assumem os gastos de repatriação de seus membros.

Além dessas ajudas, a Espanha contribuiu com outras remessas específicas para o ebola. Foram destinados 100.000 euros (cerca de 300.000 reais) para a estratégia regional da OMS, outros 50.000 (150.000 reais) para a ONG Ação contra a Fome na Guiné e 150.000 euros (cerca de 450.000 reais) para uma unidade de resposta de emergências da Cruz Vermelha em Serra Leoa, segundo dados fornecidos por um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

Também foi a Espanha o país a pedir que na reunião de ministros de Relações Exteriores da União Europeia desta quinta fosse acrescentado um ponto na ordem do dia sobre o ebola, informa Ignacio Fariza. Mas suas conclusões se limitaram a manifestar apoio e a necessidade de que haja uma resposta internacional coordenada.

Os EUA ampliarão os vistos de cidadãos dos países afetados

Além da ajuda, os países estão especialmente preocupados com a segurança de seus cidadãos que estão nos países com ebola. O Ministério das Relações Exteriores estima que cerca de 500 espanhóis estejam na região: oito na Libéria, 260 na Nigéria, 160 na Guiné e 30 em Serra Leoa, onde, além disso, está uma equipe de cooperantes da Cruz Vermelha que o ministério calcula em 16 ou 17 pessoas.

O Ministério da Saúde Pública, por meio dos consulados, distribuiu recomendações aos espanhóis que vivem nesses países sobre como evitar o contato direto com o sangue ou os líquidos corporais de um paciente ou um cadáver e com objetos que possam estar contaminados, assim como não tocar em animais selvagens nem consumir sua carne, já que essa é a via pela qual o ebola passou dos morcegos aos humanos. O Ministério das Relações Exteriores os aconselha, desde o dia 8, a pensar em “abandonar temporariamente” a Libéria, Guiné e Serra Leoa. Por seu lado, o Governo dos Estados Unidos anunciou que prolongará os vistos das pessoas dos países com ebola para que possam atrasar a volta.

O COI proíbe três atletas africanos de competir na China

A última prova da internacionalização do medo do ebola foi dada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Diante da próxima realização dos Jogos da Juventude, na China — uma espécie de Jogos Olímpicos júnior — decidiu excluir três atletas dos países afetados: dois que competiriam em esportes de combate e um nadador. O COI admite que com isso provoca uma dupla dor nos afetados, depois da incerteza de viver em um país com ebola, e afirma que eles serão convidados para uma competição futura. / http://brasil.elpais.com/brasil/2014/08/15/sociedad/1408123969_202506.html

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Imigrantes haitianos e africanos são explorados em carvoarias e frigoríficos

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 17, 2014

Estudo recém-divulgado estima que, até o fim deste ano, haverá cerca de 50 mil de cidadãos do Haiti no Brasil

O Haitiano Ivon Belisarie na carvoaria: trabalho degradante e quilos a menos – Fernando Donasci / O Globo
CASCAVEL e MARINGÁ (PR) – O suor que escorre pelo rosto se junta à poeira negra do carvão e tinge a face e os braços de Ivon Belisarie. A fuligem avermelha seus olhos. Desde que chegou ao Brasil, há dois anos e meio, de segunda a sábado, das 8h às 17h, o imigrante haitiano corta madeira, abastece fornos que produzem carvão vegetal e ensaca o produto que será enviado a centros urbanos do país, numa carvoaria em Maringá (PR). Ele não se senta um minuto. Emagreceu tanto que está abaixo do peso.

No terremoto de 2010, além de nove parentes, Ivon perdeu o patrão, um empresário haitiano do ramo de arroz para quem trabalhava como motorista havia 15 anos. Percebeu então que a permanência no Haiti ficara inviável. Trocou o conforto do ar-condicionado de veículos esportivos pelo calor, a poeira negra e a insalubridade da carvoaria. E a companhia ruidosa dos filhos pela solidão de sequer ter dinheiro para telefonar para casa.

Dos dez haitianos que vieram com Ivon de Manaus para o Paraná, atraídos pela possibilidade de reconstruir a vida, ele é o único que continua na carvoaria. Em troca, recebe cerca de R$ 950.

— Deixei a mulher chorando, com um bebê no colo e mais duas crianças pelas mãos, e vim buscar dinheiro no Brasil. Tenho responsabilidade com a minha família, não podia ficar sem trabalho — conta o haitiano, que chegou a racionar comida para enviar cerca de US$ 300 aos parentes no Haiti.

Desrespeito a normas do trabalho

A 230 quilômetros da carvoaria, num frigorífico em Cascavel (PR), 380 migrantes haitianos fazem, cada um, cerca de 90 movimentos por minuto para desossar frangos e pendurar galinhas. Por um salário mensal de cerca de R$ 1 mil, suportam a rotina de oito horas e 48 minutos diários sob um frio de nove graus, temperatura abaixo do limite de 12 graus estabelecido pelo Ministério do Trabalho.

Trabalho degradante, insalubre e de baixa remuneração em empresas de setores que, frenquentemente, figuram na lista suja do trabalho escravo têm sido o destino final de haitianos e africanos que enfrentam uma travessia dispendiosa e arriscada, muitas vezes patrocinadas por coiotes, para chegar ao Brasil. E não são poucos. Um estudo recém-divulgado pelo demógrafo Duval Fernandes, da PUC-MG, estima que, até o fim deste ano, haverá cerca de 50 mil haitianos no país. Junto a senegaleses, nigerianos e bengaleses, eles têm se engajado em funções que não requerem qualquer nível educacional, e recusadas por brasileiros.

— O trabalho em frigorífico é extremamente penoso. Em três meses, o trabalhador já começa a adoecer porque não há ser humano que suporte tanto movimento repetitivo em temperatura tão baixa. Esse trabalho não interessa mais aos brasileiros. Há uma analogia entre a situação desses migrantes aqui e a dos hispânicos que lotam frigoríficos nos Estados Unidos. Só que aqui a exploração é maior — afirma o procurador do trabalho Heiler Natali, responsável pela vistoria dos frigoríficos.
Estrangeiros trabalhando no corte de frango na Coopavel, frigorifico da região que contratou 380 haitianos para auxiliar de produção. – Fernando Donasci
A história que os imigrantes contam é de promessas não cumpridas sobre salários e alojamentos.

— A coisa mais usual é que ele achem que vão ganhar US$ 2 mil por mês. São enganados e também não entendem a lógica dos impostos sobre o salário — afirma Fernandes.

O haitiano Marcelin Geffrard diz ter sido enganado por um supermercado que o levou do Acre a Cascavel:

— Me prometeram quase R$ 900. Quando cheguei ao Paraná, o salário era menor. Com os descontos, dava só R$ 600. Isso não dava para comida e aluguel, e ainda tinha que mandar dinheiro para a minha filha, no Haiti. O alojamento era sujo, camas quebraram, e a gente tinha que dormir no chão.

Em dois meses, dez quilos mais magro

Em dois anos, Geffrard, pedagogo, com curso de arquiteto inacabado e domínio de cinco idiomas, mudou de emprego cinco vezes. Hoje, trabalha como cobrador de ônibus. Aos fins de semana, faz bicos em uma pizzaria para complementar a renda. Afirma que, apesar da longa jornada de trabalho, está muito melhor hoje do que em outras ocupações:

— O pior lugar em que trabalhei foi o frigorífico. Ali aguentei só 45 dias. Fazia horas extras, mas nunca recebi por elas. Em menos de dois meses, perdi dez quilos. Muitos colegas ficaram doentes, mas os frigoríficos não aceitam atestado e descontam o dia, se você vai ao médico. Então, os haitianos preferem cair no chão doentes no meio da fábrica a ir a um hospital.

A reclamação não é isolada. No começo do ano, haitianos participaram de uma greve em um frigorífico de Maringá. Exigiam aumento, pagamento de horas extras e fim da jornada aos sábados. Suas reivindicações acabaram atendidas pelo empresário, diante da ameaça de pedidos de demissão em massa. Haitianos e africanos se tornaram hoje peças fundamentais para a produção avícola do país.

— Sem eles, eu estaria com 20% da indústria parada — afirma Aguinel Marcondes, gerente de recursos humanos da Coopavel, indústria que produz 195 mil frangos por dia e cujo faturamento em 2013 foi de R$ 1,6 bilhão.

Marcondes prossegue:

— Hoje a oferta de trabalho está grande, e não há mão de obra para suprir as necessidades dos empresários. O próprio governo sentiu isso e abriu as portas para esses imigrantes. Sem eles, o país não cresceria o que deveria.

Haitiano custa menos do que chinês

A dificuldade para preencher vagas nessas indústrias com brasileiros não é a única vantagem na contratação de quem chega de fora. Os empresários têm enxergado neles, sobretudo nos haitianos, uma oportunidade para reduzir seu custo de produção. Uma pesquisa feita pelo economista britânico Paul Collier, para a Organização das Nações Unidas (ONU), mostrou que, em 2009, o Haiti tinha um grande excedente de mão de obra qualificada. Segundo o estudo, o trabalhador haitiano custava mais barato do que o chinês. Após o terremoto que atingiu o país, em 2010, o excedente de mão de obra aumentou. E esses trabalhadores começaram a desembarcar no Brasil.

Além de frigoríficos e carvoarias, eles começaram a ser empregados em massa na construção civil. A situação chamou a atenção do Ministério Público do Trabalho do Paraná, que investiga denúncias dos sindicatos locais de que empreiteiras têm sido constituídas apenas para contratar esses imigrantes. Elas preenchem as folhas da carteira de trabalho, mas jamais registram o trabalhador efetivamente.

Haitianos e africanos descobrem a fraude meses depois, quando o contrato termina, e eles não têm direito à rescisão e ao seguro-desemprego, ou quando sofrem acidentes e não contam com cobertura do INSS. Eles também receberiam menos do que o piso da categoria e cumpririam jornadas de trabalho superiores ao limite estabelecido pela legislação.

Foi o que aconteceu em Conceição do Mato Dentro (MG), onde cem haitianos trabalhavam na construção de um mineroduto da empresa Anglo American. O fiscal do trabalho que atuou no caso relatou que o alojamento deles lembrava uma senzala. A comida fornecida era de baixa qualidade, o que teria provocado hemorragias estomacais.

Para tentar se defender, em Cascavel, onde há pelo menos 1,5 mil haitianos, eles criaram há dois meses a Associação de Defesa dos Direitos dos Imigrantes Haitianos. A entidade já ganhou uma ação contra um frigorífico que demitiu uma haitiana grávida e obteve acordo com uma empreiteira que não havia pago verbas rescisórias. Mariana Sanches – Read more: http://oglobo.globo.com/brasil/imigrantes-haitianos-africanos-sao-explorados-em-carvoarias-frigorificos-13633084#ixzz3Af4sBId9

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Separatismo na Escócia ganha força a um mês de referendo

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 17, 2014

Favoráveis à união ainda são maioria, mas indecisos podem mudar o panorama

Fim ao domínio de Londres. Partidários da independência da Escócia durante uma manifestação em Edimburgo: adesão ao “sim” nunca foi tão grande como agora, diz pesquisa – Jill Lawless / AP/15-3-2014
LONDRES — Na reta final para o referendo que pode tornar o reino de Elizabeth II menos unido, a Escócia se prepara para um veredicto sobre a sua independência em meio a uma campanha cada vez mais inflamada — com alguns exageros de ambos os lados — para atrair a atenção do eleitor. Por mais que o “não” venha se mantendo em uma confortável dianteira desde as primeiras pesquisas de opinião, o que garantiria o “status quo”, nenhum cenário está descartado.

A grande preocupação está em um expressivo número de indecisos que poderia mudar o resultado final. São 16%, segundo a pesquisa TNS realizada nesta semana. É daí que poderia sair a grande surpresa para os dois lados da fronteira. Embora seja o menor percentual desde o inicio das pesquisas, eles podem decidir a eleição. Os escoceses favoráveis à separação nunca foram tão numerosos: 38%. E os contrários mantiveram-se em 46%.

Mesmo que o “não” confirme a vitória esperada pelos especialistas, a Escócia jamais será a mesma depois do pleito. A mobilização em torno do referendo deu origem a nova força que tem sido chamada de “Terceira Escócia”, uma espécie de caminho alternativo aos três partidos preponderantes. Trata-se de uma outra corrente, formada por verdes, feministas, independentistas e outros, buscando reformas e renovação, que terá arrebanhado uma fatia dos votos grande demais para ser desprezada pela classe política escocesa e britânica.

— Há pelo menos dois efeitos importantíssimos do referendo, independentemente do resultado das urnas. O primeiro é que conservadores e trabalhistas já anunciaram mais poderes para o Parlamento escocês. Isso é uma mudança na dinâmica. O segundo é que as pessoas se mobilizaram de um jeito que ninguém esperava. E isso não poderá ser ignorado, aconteça o que acontecer — disse ao GLOBO o especialista em política do Reino Unido da Birkbeck University of London, Ben Worthy.

Já Andrew Blick, do King’s College, afirma que o desejo escocês por mais autonomia permanecerá mesmo em caso de derrota na consulta popular.

— O referendo não é o fim do jogo. Mudanças estão acontecendo.

A Escócia foi um Estado independente até 1º de maio de 1707, quando foi formalizada a união política com o Reino da Inglaterra. Desde então, mal ou bem sempre esteve representada na cúpula do poder. A campanha Better Together (melhor juntos) é liderada pelo trabalhista escocês Alistar Darling, ex-ministro várias vezes, e reúne os partidos conservador, trabalhista e liberal-democrata. Já a Yes Scotland tem à frente Blair Jenkins, ex-apresentador da BBC e reúne, entre outros, o partido verde e organizações.

O humor geral não parece ter mudado nos últimos meses e nem o debate entre Darling, e Alex Salmond, um dos líderes do “sim”, chegou a alterar as intenções de voto. Outro duelo está previsto para o dia 25. O “não” prevalece em todas as pesquisas, por menores que sejam as margens entre as opções. Nos últimos dias, um grande debate sobre as diferenças dos percentuais entre os institutos dominou o noticiário.

Para Blick, a variação se deve às distintas metodologias. O importante, segundo o especialista, são os movimentos para um lado e outro.

— E a tendência é pelo não. E é muito difícil que isso mude até setembro — afirmou.

Até lá, vale tudo para angariar a atenção dos eleitores. Para defender a união, há quem garanta que a separação levaria uma corrida aos bancos escoceses por correntistas, empresas e investidores para aplicar o seu dinheiro no “lado seguro da fronteira”. E que, ao deixar o Reino Unido, a Escócia seria obrigada a abandonar a libra e submeter-se a flutuações do câmbio sobre as quais não teria controle.

Pequeno Reino Unido

Do lado inglês, diz-se que os britânicos sairiam enfraquecidos no contexto global e dentro da União Europeia (UE) — onde o governo de David Cameron vem brigando para promover mudanças. Já há quem fale numa polêmica discussão sobre um novo nome para o país, que alguns brincam deveria ser “Pequeno Reino Unido”, ou do desenho de uma nova bandeira, já que a emblemática Union Jack perderia o fundo azul.

Quem é pela separação afirma que a pressão sobre as contas públicas do Reino Unido vai acabar por eliminar benefícios a que os escoceses têm acesso como as aposentadorias e o sistema de saúde gratuito. Uma das maiores cirurgiãs plásticas da Escócia gravou um depoimento no YouTube, que já foi assistido por mais de 30 mil pessoas, em que diz que o “não” será o fim do NHS, a sigla para o equivalente ao SUS britânico, para os britânicos, entre eles os escoceses.

— Em cinco anos, a Inglaterra não vai mais ter o NHS e, em 10 anos, se votarmos não, nem nós — afirma Philippa Whitford, 55 anos. Vivian Oswald – Read more: http://oglobo.globo.com/mundo/separatismo-na-escocia-ganha-forca-um-mes-de-referendo-13633397#ixzz3Af4MYFff

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