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Um dos 55 corpos do cemitério de uma antiga escola da Flórida é identificado

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 11, 2014

George Owen é um dos meninos mortos nos anos 40 no reformatório de Marianna

George Owen Smith, na última foto que a família tem dele

A irmã lembra que Owen era capaz de entrar em uma loja de instrumentos, pegar qualquer um e, em dois minutos, fazer música, ainda que estivesse tocando pela primeira vez. “Poderia ter sido um grande músico. Com o talento que tinha, não entendo como acabou dessa maneira”. Em setembro de 1940, aos 14 anos, George Owen Smith foi acusado de cumplicidade no roubo de um carro e internado na escola para rapazes Arthur Dozier, de Marianna, na região de Panhandle da Flórida. Tentou fugir duas vezes e, na segunda, a escola informou à família dele que havia sido encontrado morto e em condições tão ruins que era impossível devolver seu corpo que, desde então, desapareceu.

Sob as 31 cruzes que havia no cemitério da escola onde Owen devia estar enterrado, um grupo de antropólogos da Universidade de South Florida encontrou em dezembro passado 55 ossadas de meninos. Na quinta-feira, os cientistas a cargo da investigação anunciaram a descoberta do DNA de Owen entre os primeiros 13 restos mortais analisados. Ele é o primeiro rapaz identificado plenamente e com família viva entre a meia centena que morreu por causas desconhecidas ou em circunstâncias turvas, entre 1914 e 1952, na escola Arthur Dozier: um campo de trabalho fundado em 1900 para onde iam meninos órfãos e os “incorrigíveis”, de 6 a 18 anos de idade, de 22 condados diferente dos Estados do sul dos EUA Flórida, Georgia e Carolina do Sul, na maioria deles, negros.

A escola teve três nomes, sempre esteve a cargo do Estado e foi fechada em junho de 2011. No ano seguinte, o Departamento de Cumprimento da Lei da Flórida (FDLE, na sigla em inglês) calculou que podia haver mais de 80 meninos enterrados entre os limites do antigo reformatório, ainda que nos registros oficiais só estejam documentados os enterros de 45 rapazes, que teriam morrido em um incêndio, afogados, de pneumonia, por traumatismos na cabeça e costelas, apunhalados ou na tentativa de fugir. Owen fugiu da escola em 24 de novembro de 1940, apareceu morto na manhã de 24 de janeiro em uma casa do centro de Marianna e foi enterrado às 15h30 daquela mesma sexta-feira. O superintendente e o médico da escola o reconheceram pelo uniforme, a cor do cabelo e por seus dentes, e explicaram à família Smith que, naquele ponto de deterioração, não era possível realizar uma autópsia para saber como ele morreu, nem transferi-lo para Auburndale, seu local de nascimento.

É provável que nunca se saiba como morreram Owen e os outros meninos de Marianna. “Há um certo nível de preservação necessário para determinar o DNA muito diferente do necessário para determinar a causa da morte. Não sei se os níveis de preservação serão suficientes para nos revelar a causa da morte”, explicou na quinta-feira a antropóloga Erin Kimmerle, que dirige a investigação. O nível de preservação de um corpo depende de como foi enterrado: a qual profundidade, em que posição, em que tipo de caixão, se houve um. George Owen Smith estava enterrado no extremo norte do cemitério, sem lápide nem cruzes, a meio metro de profundidade, em um caixão de madeira fabricado na escola.

“Esperei 73 anos e meio para saber isso”. Ovell Krell tem 86 anos e é uma das três irmãs vivas de Owen, cuja família passou a vida o procurando. “Foi difícil acreditar que finalmente tinha aparecido, mas estou começando a aceitar. Ainda há muitos trâmites pelos quais devemos passar. Como sua morte nunca foi registrada oficialmente, nem sequer temos uma certidão de óbito.” A última fotografia que Ovell conserva de seu irmão é do ano em que foi enviado ao reformatório de Marianna: Owen está com uma gaita na boca, ajoelhado, ao lado do pai, de pé, segurando um violão.

Desde o início das escavações na escola Arthur Dozier, em setembro de 2013, os analistas do Laboratório de Antropologia Forense da Universidade de South Florida recolheram mais de uma dezena de amostras de DNA entre as famílias que ainda buscam rastros de familiares mortos ou desaparecidos em Marianna. Ainda falta saber se alguma delas coincide com as amostras que serão extraídas das 42 ossadas que ainda faltam ser analisadas. A partir de um dos crânios melhor conservados, os investigadores conseguiram reconstruir, em julho, o rosto de um menino negro, de 10 a 12 anos, que ainda não foi identificado. “Não sabemos quem é, não sabemos nada dele”, disse Christian Wells, um dos 50 antropólogos que trabalham no caso de Dozier e que continuarão cavando os pátios da escola até o fim do ano, em busca de mais informação. http://brasil.elpais.com/brasil/2014/08/08/internacional/1407505279_938566.html

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