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Cineasta e videoartista sueco cria longa com duração de 30 dias, a ser destruído após exibição

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em agosto 9, 2014

Projeto ambicioso, ‘Ambiancé’ traz imagens desconexas num tom etéreo

O cineasta sueco Anders Weberg, criador do maior filme do mundo, ‘Ambiancé’ – Divulgação

RIO — O cineasta sueco Anders Weberg divulgou na internet, no mês passado, um teaser curto de seu próximo filme, chamado “Ambiancé”. O vídeo, com imagens desconexas num tom etéreo, é apenas uma pequena amostra do trabalho mais ambicioso de Weberg até aqui, mas serviu para chamar a atenção para a grandiosidade do projeto.

O teaser de “Ambiancé” — lembrando, trata-se do teaser “curto” — tem simplesmente 72 minutos de duração. Já o filme terá 720 horas. Não, não são segundos, minutos ou frames. A previsão é que “Ambiancé” tenha mesmo 720 horas, fazendo dele o maior longa-metragem da história do cinema.

‘Só restará a memória para quem assistir a ‘Ambiancé’’

– Anders WebergCineasta

Considerando o planejamento de Weberg, o teaser de “Ambiancé” é realmente curto. Ele promete lançar, em 2016, um primeiro trailer do seu projeto, com 7 horas e 20 minutos de duração. Já em 2018, aí sim será divulgado o trailer final do filme, onde os espectadores poderão assistir em 72 horas a uma prévia da obra. Depois, em 31 de dezembro de 2020, Weberg, um artista com mais de 300 filmes no currículo, a grande maioria de videoarte, e cujo trabalho já integrou mostras nas principais galerias do planeta,vai dar início à exibição das 720 horas de “Ambiancé”, simultaneamente em países dos cinco continentes. Dali, passados os 30 dias de projeção, o filme, promete o artista de 46 anos, será destruído.

— A única coisa que vai restar, para aqueles que tiverem a oportunidade de participar da experiência de assisti-lo, será a memória — conta Weberg, em entrevista ao GLOBO por e-mail. — Eu já usei em outras obras a ideia de destruir o filme depois de exibi-lo. Nós vivemos num mundo digital em que tudo é mantido guardado para sempre desde que haja espaço de mídia para armazenar. Só que, no mundo analógico, quando alguma coisa se quebra ou pega fogo, ela é perdida e não pode ser recuperada.

Weberg, por mais que as aparências indiquem o oposto, não parece do tipo que solta fogos de artifícios por aí só para aparecer. Ele também não tem nada de maluco ou aventureiro no mundo das artes. Seus trabalhos já foram exibidos no Lincoln Center, em Nova York, no Centro Georges Pompidou, em Paris, e na Art Basel de Miami. No Brasil, vídeos seus fizeram parte da programação de eventos como o Festival Internacional da Linguagem Eletrônica (File).

Sua obra aborda temas como violência, gênero, memória e ideologia. Ele também já dirigiu videoclipes para bandas como a sueca Alice in Videoland e a americana The Sparks. No caso de “Ambiancé”, tudo o que ele já fez servirá de inspiração para preencher as 720 horas do filme.

— A definição contemporânea de cinema fala da arte de simular experiências, de comunicar ideias, histórias, percepções, sentimentos, beleza e atmosfera através de imagens em movimento — diz Weberg. — Eu lido com a técnica do cinema da mesma maneira que os expressionistas atiravam suas emoções na tela em branco. “Ambiancé” será uma espécie de filme-memória que vai tratar das minhas emoções e reflexões ao longo de 46 anos de vida.

O artista já tem 280 horas de “Ambiancé” montadas, de cerca de 900 horas de imagens captadas. Seu objetivo é, semanalmente, filmar entre sete e oito horas e chegar a uma hora de edição para dar conta de todo o trabalho até 2020.

Hoje, o maior filme já realizado é “Modern times forever”, uma produção experimental dinamarquesa assinada pelo coletivo Superflex, sobre décadas de decadência da sede de uma fábrica de papel em Helsinki, na Finlândia. Ele tem 240 horas — um terço da duração do projeto de Weberg — e foi projetado uma vez em 2011, por 10 dias, na parede da fábrica.

TRAGÉDIA PESSOAL

Além desse, para quem gosta de comparações, filmes notavelmente longos não chegam nem perto do tempo programado para “Ambiancé”. A ficção “Não me toque” (1971), de Jaques Rivette, sobre o trabalho de grupos de teatro na década de 1960, tem 12 horas e 40 minutos. O documentário “Shoa” (1985), no qual Claude Lanzmann faz um relato oral do Holocausto, tem 9 horas e 4 minutos. E o experimental “Empire” (1964), no qual Andy Warhol filmou a torre do Empire State Building em sequências intermináveis, tem 8 horas e 5 minutos.

— O tempo tem sido um tema importante de estudo na religião, na filosofia e na ciência, e ele também tem me interessado ao longo dos anos por ser um elemento incontrolável para os homens. Só nos resta aprender como nos relacionar com ele, da maneira que for — explica Weberg. — Eu já fiz filmes longos antes, sendo que o maior deles teve 9 horas, 9 minutos, 9 segundos e 9 frames. Ele teve o título “090909” e foi lançado em 9 de setembro de 2009.

Outro anúncio de Weberg acerca de “Ambiancé” é que o longuíssima-metragem será seu último filme. O artista se diz “cansado dos filmes e de como eles são tratados”. Colabora para essa sensação de finitude uma tragédia ocorrida em janeiro: André, seu filho de 21 anos, morreu em consequência de uma overdose de drogas. “Ambiancé”, portanto, será dedicado a ele.

— Eu já vinha trabalhando no filme havia três anos e, nesse tempo, o vício de drogas dele cresceu muito, tanto que boa parte do longa é sobre ele, nossa relação, minha esperança e perda de esperança. As cenas do teaser, por exemplo, têm muita relação com ele, são muito pessoais. Acredito que o trabalho tem me ajudado a seguir em frente — conta Weberg. André Miranda – Read more: http://oglobo.globo.com/cultura/filmes/cineasta-videoartista-sueco-cria-longa-com-duracao-de-30-dias-ser-destruido-apos-exibicao-13540094#ixzz39tTWodPm

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