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Archive for 25 de julho de 2014

Uma norma para acabar com os quadrinhos nacionais

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em julho 25, 2014

No dia 13 de março de 2014 o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente aprovou, de forma unânime, a resolução nº 163 que considera abusiva toda e qualquer publicidade e comunicação mercadológica dirigidas às crianças.A resolução é apoiada por muitos como uma forma de proteger as crianças contra os abusos, mas, se for colocada na prática, vai ter resultados muito mais amplos.

Legislações restritivas à publicidade infantil existem em outros países do mundo. Na Suécia, por exemplo, estão proibidos os comerciais na TV aberta. Países como Chile e Peru proíbem anúncios de determinados alimentos e bebidas. Na Grécia, anúncios de brinquedos só podem ser anunciados na TV aberta em horário adulto. No Irã, bonecos dos Simpsons e da Barbie não podem ser comercializados ou anunciados. Mas esse é o primeiro caso de proibição total e absoluta de qualquer tipo de comunicação comercial voltada ao público infantil.

A resolução considera abusiva “a prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço”. Estão proibidos linguagem infantil, efeitos especiais e excesso de cores; trilhas sonoras de músicas infantis ou cantadas por vozes de criança; representação de criança; pessoas ou celebridades com apelo ao público infantil; personagens ou apresentadores infantis; desenho animado ou de animação; bonecos ou similares; promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis ou com apelos ao público infantil; e promoção com competições ou jogos com apelo ao público infantil.

A resolução define a ‘comunicação mercadológica’ como toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos, em qualquer horário, por meio de qualquer suporte ou mídia, no interior de creches e das instituições escolares da educação infantil e fundamental, inclusive em seus uniformes escolares ou materiais didáticos, seja de produtos ou serviços relacionados à infância ou relacionados ao público adolescente e adulto.

Ou seja: a legislação, na prática, proíbe qualquer comunicação voltada às crianças. O maior prejudicado com a norma é, claro, Maurício de Sousa. Muitos têm comemorado o fato de que ele não pode mais colocar seus personagens em produtos infantis, como pacotes de maçãs.

Mas a legislação é tão ampla que afeta quase toda a produção nacional destinada às crianças. As revistas em quadrinhos infantis, por exemplo, dificilmente se sustentam sem publicidade. Produzir um gibi infantil é um processo caro que quase nunca se paga apenas com as vendas de revistas (até porque essas vendas se reduzem a cada ano). Da mesma forma, os desenhos animados só são exibidos por causa da publicidade. Não por acaso, as TVs abertas estão tirando desenhos animados de sua programação. Há de se perguntar como ficarão os canais infantis da TV por assinatura, até porque eles não poderão mais ser anunciados e também não poderão mais exibir publicidade.

Na prática, a resolução joga uma pá de cal no mercado de desenhos animados infantis, que vinha apresentando um crescimento invejável, com personagens como Peixonauta e Turma da Mônica, e coloca em situação difícil as revistas infantis nacionais, já que não é permitida nem mesmo a publicidade das próprias publicações. Ou seja: a revista do Cebolinha não pode mais anunciar o conteúdo da revista do Cascão. Pior ainda para autores que queiram lançar gibis com personagens novos, que não poderão ser divulgados. Nem mesmo a distribuição de brindes para as crianças são mais permitidos. Na prática, Maurício de Sousa ainda está em uma situação melhor do que outros quadrinistas que queiram lançar outras publicações infantis. Nunca mais veremos o lançamento de outros gibis.

Mas essa é uma visão otimista. A legislação é tão ampla que, na prática, pode proibir até mesmo as capas dos gibis infantis. Veja-se: a legislação considera “‘comunicação mercadológica’ como toda e qualquer atividade de comunicação comercial, inclusive publicidade, para a divulgação de produtos, serviços, marcas e empresas realizada, dentre outros meios e lugares, em eventos, espaços públicos, páginas de internet, canais televisivos”.

Todo manual de marketing explica que um dos elementos essenciais da comunicação mercadológica é o merchandising, ou apelo no ponto de venda. No caso das bancas de revista, o apelo comercial é feito através das capas das revistas. Ou seja, sob qualquer aspecto, a capa de um gibi é uma comunicação mercadológica. Se a norma realmente for seguida, os editores de revistas infantis terão que se adaptar, uma vez que não poderão mais exibir personagens nas capas de suas revistas. Uma solução talvez seja vender as revistas lacradas, com tarjas escondendo os personagens da mesma forma como hoje se faz com as revistas pornográficas. Num mercado em que gibis vendem cada vez menos, a resolução pode ser a pá de cal no mercado de quadrinhos nacionais.

Lendo a legislação lembrei do amigo desenhista Antonio Eder, que, mesmo depois de adulto, ainda tinha o álbum de figurinhas do Palhaço Zequinha, lançado pelo governo do Paraná no final dos anos 1970. O álbum era gratuito e as figurinhas eram trocadas por notas fiscais. Um incentivo para que a população exigisse notas fiscais que fez a alegria de muitas crianças curitibanas. Pela nova legislação, a iniciativa seria ilegal, uma vez que a norma proíbe a “promoção com distribuição de prêmios ou de brindes colecionáveis”.

Engana-se quem acha que o problema se restringe apenas aos quadrinhos infantis. Como maioria das pessoas acha que todo gibi é para crianças, toda a produção nacional pode ser afetada. Um exemplo: quando lancei o meu livro “Grafipar, a editora que saiu do eixo”, perguntei porque o livro era vendido lacrado e com uma tarja avisando que se tratava de um livro para adultos. No meu entender, o livro era obviamente para adultos, até pela referência no subtítulo à produção erótica. “Tente explicar isso a um juiz”, respondeu um editor. “Se tem desenho na capa e é quadrinhos, um pai pode achar que é para criança e nos processar. Já aconteceu com outros livros semelhantes”. Ou seja: provavelmente para os “especialistas” do conselho, todo quadrinho é para criança e se encaixa na norma, até porque uma das definições para isso é o uso de cores chamativas.

No pior dos cenários, até mesmo as coleções de miniaturas de personagens de quadrinhos (como os da Marvel e DC, que temos visto nas bancas) ficam comprometidas. Explica-se: a legislação atual já proíbe vender em banca de revista algo que não seja revista. Assim, quando se pretende lançar algo do gênero, coloca-se uma revista junto, e diz-se que o boneco é brinde para quem comprou a revista. Como agora brindes são proibidos e como a maioria das pessoas vê quadrinhos como coisa exclusivamente de crianças…

Uma legislação que coíba abusos na publicidade infantil seria bem vinda. Mas a proibição total, com uma lei tão ampla que pode afetar até as capas dos gibis nacionais interessaria a quem? Em tempo, as citações entre aspas foram retiradas diretamente do site do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente. http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=4026&titulo=Uma_norma_para_acabar_com_os_quadrinhos_nacionais

Gian Danton
Goiânia, 25/7/2014

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Sucesso de Dilma deteriora economia, diz Santander a clientes ricos

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em julho 25, 2014

O Banco Santander enviou neste mês de julho de 2014 aos seus clientes de alta renda um texto afirmando que o eventual sucesso eleitoral da presidente Dilma Rousseff irá piorar a economia do Brasil. A análise foi impressa na última página do extrato dos clientes na categoria “Select”, com renda mensal superior a R$ 10 mil. Diz que se Dilma melhorar nas pesquisas de intenção de voto, os juros e o dólar vão subir e a Bolsa, cair. O texto vem sob o título “Você e seu dinheiro” e orienta os clientes do Santander: um cenário eleitoral favorável à petista reverterá “parte das altas recentes” na Bolsa.

Eis a reprodução do extrato:

Reprodução

O documento do Santander ao seus correntistas mais abastados contém uma análise que já frequentava o mercado financeiro brasileiro de forma difusa, mas nunca de maneira institucional por um grande banco. Esse tipo de comportamento do mercado não é novo. Desde a primeira eleição direta pós-ditadura ocorrem interpretações nesse sentido. Em 1989, o empresário Mário Amato deu uma entrevista dizendo que se o petista Luiz Inácio Lula da Silva ganhasse naquele ano, 800 mil empresários deixariam o Brasil. Em 2002, quando o mercado financeiro novamente ficou apreensivo com uma possível vitória de Lula, o analista Daniel Tenengauzer, do banco Goldman Sachs, chegou a inventar o “lulômetro”, que previa a cotação futura do dólar caso o petista fosse eleito. Tenengauzer acabou repreendido pelo banco, que considerou “leviano” e de “mau gosto” o nome de seu modelo matemático.

O Santander confirmou a autenticidade do documento ao qual o Blog teve acesso. Em nota, disse adotar critérios “exclusivamente técnicos” em suas análises econômicas, “sem qualquer viés político ou partidário”. O banco reconhece que o texto enviado a seus clientes “pode permitir interpretações que não são aderentes a essa diretriz” (de se ater a análises mais técnicas). A instituição emitiu uma nota na qual pede desculpas ao seus correntistas e diz que adotará providências internas. De capital espanhol, o Santander é o 5º maior banco e o 1º estrangeiro em atuação no Brasil. Fica atrás de Banco do Brasil, Itaú, Caixa e Bradesco. Em 2000, massificou sua operação de varejo ao comprar o Banespa, o antigo banco estatal que pertenceu ao governo paulista.

Abaixo, a íntegra da nota do Santander:

“O Santander esclarece que adota critérios exclusivamente técnicos em todas as análises econômicas, que ficam restritas à discussão de variáveis que possam afetar os investimentos dos correntistas, sem qualquer viés político ou partidário. O texto veiculado na coluna ‘Você e Seu Dinheiro’, no extrato mensal enviado aos clientes do segmento Select, pode permitir interpretações que não são aderentes a essa diretriz. A instituição pede desculpas aos seus clientes e acrescenta que estão sendo tomadas as providências para assegurar que nenhum comunicado dê margem a interpretações diversas dessa orientação.” (Bruno Lupion) – Fernando Rodrigues – http://fernandorodrigues.blogosfera.uol.com.br/2014/07/25/sucesso-de-dilma-deteriora-economia-diz-santander-a-clientes-ricos/

 

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Violência alastra à Cisjordânia e a Jerusalém

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em julho 25, 2014

Ao 18.º dia da ofensiva em Gaza, que deixou 800 mortos entre os palestinianos, intensificam-se os pedidos de cessar-fogo na região. Duas pessoas morreram durante a noite, na Cisjordânia, numa manifestação que começou por ser pacífica.

Marcas dos confrontos entre manifestantes palestinianos e polícias israelitas junto ao posto de controlo de Qalandia, na CisjordâniaMarcas dos confrontos entre manifestantes palestinianos e polícias israelitas junto ao posto de controlo de Qalandia, na Cisjordânia / ALAA BADARNEH/EPA

O rastilho da violência em Gaza ameaça alastrar a outras zonas da Palestina. Grupos palestinianos apelaram a um “dia de raiva” na Cisjordânia e em Gaza, esta sexta-feira, depois de uma noite de intensos confrontos entre a polícia israelita e manifestantes junto a um checkpoint em Qalandia, na Cisjordânia.

A israelita Deema Mimi, residente em Ramallah e que tem mantido contacto permanente com o Expresso, estava entre os manifestantes, com o pai, para apelar ao fim da ofensiva israelita em Gaza. Perto de vinte mil pessoas integraram o protesto, que começou junto do campo de refugiados de Al-Ammari, em Ramallah. Os milhares de palestinianos dirigiram-se, de forma pacífica, para Qalandia, outro campo de refugiados situado a 15 quilómetros da cidade.

Subitamente, militares israelitas começaram a disparar sobre os manifestantes junto a um posto de controlo israelita. “O meu pai não me deixou chegar perto da zona onde se deram os confrontos, fiquei a uns 400 metros e podia ouvir os tiros e as explosões”, conta Deema, que relata um cenário de caos, com ambulâncias a passar a cada cinco minutos. “As ambulâncias não eram suficientes para acudir os feridos, por isso as pessoas usaram as suas próprias viaturas para os transportarem para o hospital.” Pelo menos dois palestinianos foram mortos e mais de 150 ficaram feridos.

Este relato confirma que a situação está a complicar-se rapidamente fora dos limites de Gaza. Desde 8 de julho, primeiro dia da ofensiva militar sobre Gaza, os palestinianos manifestam-se nas ruas para pedir o fim da guerra. As forças de segurança palestinianas têm-se mantido à margem, cumprindo ordens do Presidente Mahmud Abbas, que “não quer correr riscos”, explica Deema ao Expresso.

No entanto, o rastilho da violência estende-se agora a outras zonas da Palestina e poderá piorar nos próximos dias se não se conseguir um cessar-fogo. Cem pessoas ficaram feridas em confrontos em Jerusalém Oriental, e o mesmo sucedeu em Nablus (50 quilómetros a norte de Jerusalém) e em Al-Esawiya.

Acordo no horizonte?

Os pedidos para um cessar-fogo entre Israel e os militantes do Hamas intensificam-se, numa altura em que o número de mortos palestinianos ultrapassa já os 800, civis na sua maioria. Em 18 dias de guerra, 35 soldados israelitas perderam a vida.

A esperança num acordo aumenta com os rumores de que estará prevista, para o final desta sexta-feira, uma conferência de imprensa conjunta, do secretário de Estado norte-americano John Kerry, do ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio Sameh Shoukry e do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

Kerry deverá deixar a região esta sexta-feira, com ou sem acordo estabelecido. O plano passa por suspender o conflito israelo-palestiniano já a partir deste fim de semana.

Aeroporto atacado

Entretanto, as brigadas Qassam, braço-armado do Hamas, lançaram, pela segunda vez esta semana, foguetes M75 contra o aeroporto Bem Gurion, em Telavive. Um porta-voz das forças de segurança israelitas confirmou que os engenhos foram disparados, esta sexta-feira, a partir da Faixa de Gaza. Terça-feira, um foguete atingiu as proximidades do aeroporto israelita, obrigando ao cancelamento de voos de várias companhias europeias e norte-americanas. Algumas destas companhias levantaram a interdição na quinta-feira. http://expresso.sapo.pt/violencia-alastra-a-cisjordania-e-a-jerusalem=f883099

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