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Dilma é vaiada de novo na final da Copa do Mundo

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em julho 14, 2014

O rechaço foi menor do que na abertura, mas obrigou a presidenta a entregar a taça em questão de segundos, sem um sorriso no rosto

  • Dilma, a vaia e o feminino

Dilma Rousseff entrega a Copa ao capitão alemão Philip Lahm. / F. C. (afp)

A presidenta Dilma Rousseff sabia que estaria pisando em campo minado quando chegasse à final da Copa do Mundo, tanto que não se mostrava com “aquela vontade” de entregar a taça aos vencedores. Enquanto cumprimentava os jogadores depois da partida, ouviam-se vaias quando ela aparecia no telão. Haviam dúvidas se as vaias eram dirigidas a Joseph Blatter, presidente da FIFA, que estava ao lado da mandatária brasileira nesse momento.

Mas, quando entregou a taça ao capitão alemão Philip Lahm, foi evidente o rechaço da torcida presente no Maracanã, que ensaiou inclusive um “vai tomar no cu”. Rousseff entregou a taça em questão de segundos, aparentemente para reduzir o constrangimento. A presidenta não sorria, o que deixa entrever o incômodo com a situação.

Rousseff assistiu ao jogo entre a Alemanha e Argentina da tribuna, ao lado da chanceler alemã, Angela Merkel, de Blatter, e do presidente russo, Vladimir Putin. Manteve-se séria, mas as câmeras captaram em alguns momentos que ela estava envolvida com o jogo.

Pouco antes do início do jogo, a assessoria da presidência da República divulgou uma carta de Rousseff sobre a realização do evento. “O Brasil se orgulha muito por ter sido, mais uma vez, palco da celebração maior do futebol, esse esporte que tanto nos encanta e emociona. Nos últimos 30 dias, o mundo esteve conectado ao Brasil, assistindo jogos emocionantes, celebrando quase duas centenas de gols, se surpreendendo com resultados inesperados. Muita emoção foi vivida nos estádios e em todas as 12 cidades sede, fazendo deste campeonato a Copa das Copas”, escreveu.

Na sexta-feira, em reunião com jornalistas de veículos internacionais, ela celebrava o fato de nenhuma profecia negativa ter se confirmado sobre a organização da Copa, uma vez que os incidentes com os turistas e com a realização dos jogos foram mínimos. Depois de uma queda nas pesquisas eleitorais, na véspera do início do Mundial, ela chegou a recuperar alguns pontos, enquanto o clima de festa estava no auge, com a organização fluindo bem, e com a seleção brasileira avançando na Copa. Num levantamento divulgado pelo instituto Datafolha, no dia 2 de julho, ela chegou a subir quatro pontos nas pesquisas, passando de 34% para 38% das intenções de votos. 

Subiu também o número de brasileiros que apoiavam a Copa do Mundo, que passou de 51% nos primeiros dias de junho, para 63% no início de julho, segundo o instituto Datafolha.

A eliminação da seleção pela Alemanha, no dia 4, e a derrota contra a Holanda, neste sábado, dia 12, baixou a moral da torcida, que começou a despejar as frustrações em novos protestos, como o que aconteceu neste domingo, no Rio de Janeiro. Sobre a possibilidade da retomada dos protestos depois da Copa, Rousseff limitou-se a dizer: “Vivemos aqui numa democracia”, disse.  – http://brasil.elpais.com/brasil/2014/07/14/deportes/1405291183_218188.html

Messi, Bola de Ouro sem brilho

O camisa 10 fecha uma temporada decepcionante e com o surpreendente prêmio de melhor jogador do torneio. Depois do jogo, ele saiu sozinho, cabisbaixo

Messi, nas escadas, antes de receber a Bola de Ouro. / Clive Rose (Getty)

Ele tinha 10 guerreiros a seu serviço no campo e 25.000 gargantas nas arquibancadas. Fora do estádio, outros 50.000 compatriotas esperavam pela festa de suas vidas. Ele entrou no campo sorridente, foi o primeiro, como deve fazer o capitão. Os primeiros minutos mostraram o que já se sabe: Messi é o único jogador da equipe que joga sem obrigações. Ele não tinha de pressionar na defesa, nem ficar nas barreiras. Nenhum esforço a mais que pudesse distraí-lo de sua tarefa principal: esfregar a lâmpada de seu próprio gênio. Desde sua primeira jogada relevante, no minuto seis, ele escolheu o lado direito: Höwedes parecia uma presa mais fácil que Lahm. Seu cruzamento acendeu o estádio, que fazia um barulho diferente a cada vez que ele tocava na bola.

No minuto nove, ele voltou a avançar pela lateral, mas não encontrou alguém para finalizar. A velocidade nas corridas não seria problema. Depois, novamente, ele caminhou tranquilo, à espera que sua legião de soldados recuperasse a bola. De fato, já tinha alcançado seu status de Maradona. Só faltava uma Copa do Mundo, a sua Copa do Mundo, para tornar o fato oficial.

Mas não era um jogo qualquer e Messi voltou 30 metros para trás quando Schweinsteiger lhe roubou uma bola, como faria qualquer outro jogador, até conseguir um lateral. Quando a Alemanha atacava, ele ficava cabisbaixo, nesse seu mundo próprio em que, segundo dizem pessoas que o conhecem bem, o camisa 10 passa a maior parte do tempo.

Quando a Alemanha atacava, ele ficava nesse seu mundo próprio em que, segundo dizem pessoas que o conhecem bem, o camisa 10 passa a maior parte do tempo

No Maracanã, tão perto da maior ambição de sua vida, era talvez a única maneira de ele se motivar diante de algo que ainda não havia conquistado. Quando entrava no jogo, La Pulga fazia lembrar a eletricidade de suas melhores temporadas. Voltava até seu campo, à espera de alguma bola que lhe permitisse outra jogada do século em outra final contra a Alemanha.

O erro terrível de Kroos que Higuaín desperdiçou aos 19 minutos confirmou, definitivamente, que a Argentina não era o Brasil. Messi parecia tranquilo e ligado no jogo. “Para um jogo assim, não é preciso motivar os jogadores”, havia dito o técnico Alejandro Sabella na véspera. Explosivo, o camisa 10 tentou surpreender em uma cobrança rápida de falta.

Foram os melhores minutos da Argentina na partida, quando anularam um gol de Higuaín que nasceu com uma esplêndida abertura de Messi para Lavezzi, de trivela. Em uma interrupção do jogo, ele cochichou algo para um juiz de linha; parecia sentir-se à vontade. Quando a Alemanha voltou ao ritmo, nos minutos finais, ele voltou a ficar no meio-campo, como antes. Mas, aos 39, ele dominou outra bola pela direita e teve sua primeira oportunidade clara. Höwedes tinha cartão amarelo. Schweinsteiger trabalhava na cobertura. A Argentina havia jogado a melhor meia hora de seu campeonato particular. Alguns dias antes, em Belo Horizonte, a essa altura o adversário alemão já havia sofrido cinco gols.

Messi, cabisbaixo durante o jogo. / ODD ANDERSEN (AFP)

Depois do intervalo (com Agüero no lugar de Lavezzi), a Argentina evoluiu. Logo depois do início da segunda etapa, um passe em profundidade e um chute do camisa 10 fizeram o público vibrar. Ele estava bem, mas por detrás de Aguëro e Higuaín, honrando o número que vestia.

Faltavam 45 minutos para a temporada: era a hora de colocar fim à história de dosar as energias. Messi começou a tocar mais na bola, a mexer-se, a desmarcar-se. Ele esperava a bola de sua vida. No minuto 74, buscou pela primeira vez um gol a seu estilo, na linha da área, driblando vários alemães até encontrar um chute de perna esquerda. Os torcedores argentinos gritavam seu nome. Três minutos depois, ele passou perto outra vez em jogada similar. Agüero começava a entrar no jogo: podia ser o companheiro com a qualidade necessária em um time que sacrifica sua qualidade em nome do esforço. Foi uma miragem: o Kun não havia chegado bem ao Brasil e os torcedores, no fim, perguntavam-se porque Lavezzi havia saído.

Durante 100 minutos, La Pulga foi o jogador com mais potencial para desequilibrar o jogo, mas lhe faltou um gol

Na prorrogação, o jogo ameaçou desmontar-se durante alguns minutos. A Alemanha pressionava e a Argentina tentava uma surpresa. Pela primeira vez no jogo, um companheiro (seu amigo Agüero) reclamou de uma jogada, um passe mal dado em um contra-ataque. Depois, ele errou uma bola para Palacio. Já não falava mais durante as pausas. A tensão era enorme. E ele pareceu enfiar-se de novo em seu próprio mundo.

Depois de tomar um refresco para descansar, ele voltou a desconectar-se do jogo e a Alemanha conservou a posse de bola. A Argentina parecia estar já em seu limite (havia tido um dia a menos de descanso). Depois do gol de Götze, sozinho no centro de campo com a bola, ele deu a impressão de estar cansado. Durante 100 minutos, Messi foi o jogador com mais potencial de desequilíbrio, mas faltou-lhe um gol.

No minuto 120 os argentinos conseguiram uma boa falta, um pouco para a lateral do campo. A cobrança foi nas nuvens, e ele olhou para o céu. Messi voltou para o centro do campo, sozinho, sem nenhuma lágrima, cabisbaixo, as mãos na cintura. Não podia nem falar, ainda que depois tenha recebido, surpreendentemente, a Bola de Ouro da Copa do Mundo. E foi embora sem o título.  – http://brasil.elpais.com/brasil/2014/07/14/deportes/1405294005_420002.html

Brasil é a equipe pesadelo

A seleção Canarinho se despede sofrendo outra goleada, e a Holanda termina em terceiro, invicta

  • ESPECIAL Tudo sobre a Copa do Mundo 2014

Thiago Silva e Robben, na ação que valeu o pênalti para a Holanda. / D. E. (reuters)

Não há consolo nem perdão possível para o Brasil. A ferida provocada pelo 7 x 1 não deixa de sangrar, por mais que os jogadores e torcedores digam que não, vítimas ambos das mutretas do populista Scolari. Há derrotas que não se apagam com o currículo nem com títulos, mas que exigem medidas estruturais inadiáveis, e ainda mais no caso do pentacampeão. O Brasil é agora uma equipe ultrapassada, com a qual já se atrevem inclusive os mesmos árbitros que, no início da Copa, o reverenciavam, como se apreciou em determinadas passagens da partida com a Holanda, que acabou invicta na terceira colocação, depois de ganhar a final de consolação – uma partida imposta por questões econômicas, não futebolísticas: o vencedor recebe 22 milhões de dólares, 2 milhões a mais que o quarto colocado.

A Holanda foi, no fim das contas, uma equipe autoral no Brasil, desde a hora da chegada até a partida. Tinha princípio e fim em Van Gaal, próximo técnico do Manchester United, que encarou a despedida com a mesma liturgia da estreia: a defesa de cinco e os dois atacantes de costume, Robben e Van Persie. Só variavam os jogadores de acompanhamento, e desta vez faltou Sneijder, lesionado no aquecimento no Estádio Mané Garrincha. A ausência do volante do Galatasaray não afetou a personalidade da seleção nem a sua mecânica, mais efetiva no contra-ataque, especialista em atacar o espaço mais do que em tomar a iniciativa, também contra uma equipe disparatada como o Brasil. A Holanda que ganhou na anfitriã é a mesma que goleou a Espanha.

Até zagueiros da categoria de Thiago Silva e David Luiz pioram a cada dia na escola de Scolari. Robben não demorou nada em tomar as costas do capitão brasileiro, vencido diante da corrida do 11 depois de uma reposição de Cillessen. Robben foi derrubado fora da área, mas o árbitro apitou pênalti e poupou Silva da expulsão. Van Persie converteu: 1 x 0. Um quarto de hora depois, foi a vez de David Luiz bobear, quando seu cocuruto desviou para Blind, na marca do pênalti, uma bola centrada por De Guzman: controle com a canhota e tiro com a direita, como se estivesse na sala da sua casa em Amsterdã: 2 x 0. Ficou sopa no mel para as transições oranjes, e o jogo virou outra tortura para a seleção verde-amarela.

A anfitriã é a seleção-pesadelo para seus torcedores em qualquer campo do Brasil. Embora Felipão tenha trocado meio time, o futebol do Brasil provocou a mesma dor de cabeça que na sua partida contra a Alemanha. Não sabe como sair com a bola nem acabar as jogadas desde que Neymar se lesionou. Carente de meios de toque, seu único recurso é atacar os cruzamentos de bola parada, sobretudo na saída das faltas táticas cometidas de maneira reiterada pela Holanda. Os oranjes não deixaram que os brasileiros alcançassem sua área e foram efetivos diante das traves de Julio César. Tanto faz quem jogue no Brasil: Hulk ou Ramires, Marcelo ou Maxwell, Fred ou Jô, Fernandinho ou Paulinho, Bernard ou Willian. Todos parecem um só nas mãos de Scolari.

Oscar por acaso teve mais protagonismo, e Fernandinho se superou na tarefa de dar pontapés em Robben e Van Persie. Quem não bate não joga com Felipão, e o volante do Manchester City se transformou em um caçador no Brasil. A mesma situação se deu com Hernanes. O intervalo só serve para ativar a veia agressiva dos locais, especialmente manifesta durante o torneio, sobretudo na partida contra a Colômbia. Não era fácil transitar pelo campo do Brasil. A vice-campeã do mundo mal conseguiu atacar, e por outro lado evidenciou suas dificuldades habituais na defesa, expressas em dois possíveis pênaltis: um pelo braço de Vlaar e outro por uma entrada de Blind em Oscar, que acabou com a lesão do canhoto holandês e cartão amarelo para o atacante do Brasil.

O foco ficou sobre o árbitro Haimoudi, da Argélia, não só por suas decisões polêmicas, mas também por sua facilidade para entorpecer o jogo, circunstância que acabou por irritar a torcida, já crítica com a sua equipe, só reanimada quando apareceu Hulk, um búfalo que bate na bola com violência, conforme a militarização imposta por Scolari. Não houve maneira do Brasil arrumar um gol, e assim o time assinou sua capitulação com uma segunda derrota, como se tanto fizesse qual rival enfrentasse, desnorteada e ridícula como está desde que foi descoberto o engodo na busca pelo hexa. É preciso repensar o futebol no Brasil depois do ridículo da família Scolari.

A ‘Oranje’ foi uma equipe autoral, da hora da chegada até a partida

O selecionador que vai embora tranquilo é Van Gaal, que será substituído por Hiddink, quem também tem sua alternância definida na figura de Blind. A programação holandesa contrasta com a improvisação brasileira. Não é por acaso que a Holanda foi vice-campeã em 2010 e terceira colocada em 2014 com dois técnicos diferentes, o último deles Van Gaal. Os oranjes iniciam uma nova etapa no banco e em campo: supõe-se que seus jogadores de referência, Van Persie, Robben e Sneijder, dificilmente voltarão a jogar uma fase final de Copa. O futuro está nos pés de jogadores como Wijnaldum, que assinou o 3 x 0, para desespero da torcida, queixosa com o seu Brasil.

O final foi tão bizarro que Van Gaal se permitiu colocar em campo o seu terceiro goleiro desta Copa, Worm, ante a vaia generalizada no Mané Garrincha. Não há quem console o Brasil, irreconhecível em qualquer parte do mundo, até em sua casa.

Ovação a Neymar, vaias a Scolari

R. BESA/Rio de Janeiro

Com um caminhar lento, ainda dolorido pela joelhada dada pelo colombiano Zúñiga nas costas, que lhe fraturou uma vértebra, Neymar não quis deixar seus companheiros sozinhos. O atacante do Barça, artilheiro da seleção na Copa com quatro gols, apesar de não ter disputado a semifinal nem o último duelo contra a Holanda, pisou no gramado do estádio Mané Garrincha, entrando pouco depois dos seus companheiros. De calção e camiseta, envolto em um colete preto, respondeu de mãos erguidas aos aplausos da arquibancada, com gestos de agradecimento, e em seguida se incrustou no banco, entre seu amigo Dani Alves e Hulk.

Dali presenciou o confronto com nervosismo e alguns dramalhões. Cada vez que sua imagem aparecia nos telões, os torcedores de Brasília lhe ofereciam coros de apoio. Como o resto dos reservas, recebeu de mau grado os três gols da Oranje. Não era para menos. O Brasil sofreu 10 gols em apenas duas partidas consecutivas. Foi uma despedida triste para Neymar, a quem a FIFA incluiu entre os candidatos à Bola de Ouro que premia o melhor jogador do campeonato. Junto com Neymar, outro dos jogadores locais tratado com atenção foi o zagueiro David Luiz. Justamente o contrário de Luiz Felipe Scolari. Quando seu nome foi citado nos alto-falantes, os torcedores de Brasília lhe dedicaram sonoras vaias.  – http://brasil.elpais.com/brasil/2014/07/12/deportes/1405200739_224854.html

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