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Tecnologia Celular Pode Estar por Trás do Desaparecimento das Abelhas!

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em junho 29, 2014

Alerta mundial para o misterioso desaparecimento das abelhas

A mortalidade dos insetos polinizadores aumenta sem que se conheçam as causas. A maioria dos cultivos depende desses insetos

  • GRÁFICO O desaparecimento das abelhas (em espanhol)

Uma abelha pousada em uma flor na região francesa de Rhône-Alpes. / getty

Já se passaram 20 anos desde que um grupo de agricultores franceses chamou a atenção pela primeira vez sobre um fenômeno insólito: o despovoamento das colmeias por causa do desaparecimento das abelhas, de cuja polinização depende grande parte da produção mundial de alimentos. Logo se comprovou que o fenômeno era global, ao menos nos países com uma agricultura muito desenvolvida, e uma série de investigações tentou determinar as causas, com resultados frequentemente díspares ou contraditórios. A morte das abelhas se deve às monoculturas ou ao aquecimento global? A vírus, bactérias, fungos, parasitas como o Nosema ceranae? Ou a pesticidas como os neonicotinoides, que começaram a ser usados exatamente há duas décadas? Embora pareçam existir tantas opiniões quanto peritos nesse campo, é possível que todos tenham uma parte de razão.

Enquanto isso, o fenômeno só tem piorado – os apicultores denunciam perdas mais graves ano após ano – e a única boa notícia nesse terreno só surgiu muito recentemente. Com característica lentidão, mas louvável preocupação, as Administrações, incluindo as da União Europeia (que no ano passado proibiu vários pesticidas) e dos EUA (que aprovou um orçamento extraordinário para investigar o fenômeno) tomaram consciência do problema e puseram mãos à obra.

A gravidade da situação e a demora e ineficácia das medidas paliativas provocam uma pergunta que já não pode ser considerada absurda: como seria um mundo sem abelhas? “Se tivéssemos de depender de uma agricultura sem polinizadores, estaríamos preparados”, afirma o subdiretor-geral de Saúde e Higiene Animal do Ministério de Agricultura da Espanha,Lucio Carbajo. Nem todos os cultivos desapareceriam, porque há aqueles que se podem administrar de outras formas (como autopolinização e polinização por pássaros), mas todas as fontes coincidem que a perda de diversidade e de qualidade alimentar seria enorme. Além disso, os mesmos fatores que atacam as colmeias afetam também os polinizadores silvestres, como o zangão, o besouro e as vespas, de modo que as perdas afetariam não só a produção agrícola, mas também – e possivelmente de forma ainda mais crucial – os ecossistemas naturais e o meio ambiente em geral. As abelhas, as flores e os frutos evoluíram juntos há dezenas de milhões de anos, e não se pode destruir um sem destroçar os outros.

O Laboratório de Referência da UE para a Saúde das Abelhas, com sede em Anses, na França, publicou em abril os resultados do primeiro programa de vigilância do despovoamento das colmeias em 17 países europeus. Os dados, baseados no estudo de mais de 30.000 colmeias durante 2012 e 2013 e das práticas agrícolas e agentes patogênicos mais daninhos, mostram índices de mortalidade invernal muito variáveis entre países (entre 3,5% e 33,6%). Em geral, a situação é menos grave na Espanha e em outros países mediterrâneos (menos de 10%) do que no norte do continente (mais de 20%). As cifras contradizem as do setorapícola espanhol, que denuncia taxas de mortalidade entre 20% e 40%, em mais um exemplo de como é difícil padronizar os critérios e as metodologias nessa área.

O peso dos possíveis fatores de risco, como o manejo das colônias, o uso de pesticidas e os agentes patogênicos, é variável e complexo. Tanto o relatório europeu como as demais fontes coincidem em que as causas da mortalidade das abelhas são múltiplas. Também assinalam, entretanto, que certos fatores podem ser mais fáceis de abordar que outros. Os pesticidas mais daninhos, por exemplo, podem ser proibidos ou restringidos, como a UE já fez com quatro deles. Por outro lado, e como é natural, os principais produtores de pesticidas – Bayer, Syngenta e Basf – não aceitam que haja evidências sólidas de que seus produtos sejam a causa do problema. E, de forma mais significativa, algumas fontes científicas coincidem com eles.

A UE fez este ano um primeiro estudo de mortalidade, com cifras variando de 3,5% a 33,6% conforme o país

“Os pesticidas neonicotinoides, como os proibidos pela UE, não são os mais detectados nas colmeias, pelo menos não de forma crônica”, assegura Mariano Higes, do Centro Regional Apícola de Marchamalo, em Guadalajara. “Podem ser um problema em monoculturas muito grandes, mas afetam principalmente os polinizadores silvestres, como os besouros, não as colmeias de abelhas.” Higes aceita, entretanto, que restringir esses produtos pode ser útil para os ecossistemas, embora não para a agricultura.

E o cúmulo, segundo uma pesquisa dirigida por Tom Breeze, do Centro de Investigação Agroambiental da Universidade de Reading, publicadaeste ano na PLoS ONE, é que são as próprias políticas agrícolas europeias que estão agravando o problema: ao promover as grandes monoculturas, elas estão produzindo um crescente desajuste entre as necessidades de polinização e a disponibilidade de colmeias em todas as regiões do continente. Todos esses cultivos precisam de abelhas, mas os apicultores não conseguem reproduzir tanto as colmeias, e por isso o cultivo acaba rendendo menos. O resultado dessa investigação chama ainda mais a atenção pelo fato de que o trabalho foi financiado pela mesma UE que é objeto de suas críticas.

“As políticas agrícolas e de biocombustíveis europeias estimularam um grande crescimento das áreas cultivadas que precisam de polinização por insetos”, explicam Breeze e seus colegas, que estenderam seu estudo a todo o continente. Entre 2005 e 2010, por exemplo, o número requerido de abelhas melíferas cresceu cinco vezes mais rápido que a existência desses insetos. Em consequência, mais de 90% da demanda não pôde ser satisfeita em 22 países da UE. “Nossos dados alertam sobre a capacidade de muitos países para suportar perdas importantes de insetos polinizadores silvestres”, conclui Breeze.

Campos de trigo no interior dos Estados Unidos. / getty

Esses polinizadores silvestres – principalmente as 250 espécies de besouros existentes – são a outra metade da história. Seria possível pensar que, em um mundo sem abelhas, a tarefa de polinizar os cultivos pudesse ser assumida por esses outros insetos, que, de fato, são hoje os que polinizam a maior parte dos cultivos básicos para a alimentação mundial: a ação dos besouros (do gênero Bombus) produz o dobro de frutos que a devida à apicultura convencional com abelhas (do gêneroApis).

No entanto, uma recente investigação do Matthias Fürst e seus colegas da Royal Holloway University de Londres, publicado na Nature, desinflou essa expectativa ao mostrar que dois dos grandes agentes patogênicos das colmeias, o vírus das asas disformes (DWV) e o fungo Nosema ceranae, já se estenderam para os polinizadores naturais. Esses agentes infecciosos não só se mostraram capazes de transmitir-se do gênero Apis para oBombus em experimentos controlados de laboratório, como já contagiaram besouros na natureza, segundo os estudos de campo desses cientistas na Grã-Bretanha e na Ilha de Man. Cabe temer, portanto, que os polinizadores silvestres logo estejam tão ameaçados como suas colegas domésticas.

A identificação do Nosema como uma das grandes causas do Despovoamento das colmeias se deve a Higes, o principal investigador espanhol nessa área. “O papel dos agentes patogênicos e, sobretudo, doNosema ceranae segue sem ser compreendido”, reconhece Higes, cujo laboratório leva dez anos investigando esse microsporídio. “Muitos de meus colegas projetam experiências errôneas e extraem conclusões que não são inteiramente corretas; é uma pena, mas dez anos depois continua existindo uma nebulosa no conhecimento.” Como se vê, a investigação sobre a morte das abelhas está recheada de conflitos.

Os polinizadores desaparecem ao mesmo tempo que aumentam os cultivos que precisam de sua intervenção natural

Essa é uma das razões pelas quais grupos ecologistas como o Greenpeace não só elogiam as restrições europeias a quatro pesticidas neonicotinoides, como também proponham estender a proibição a outros 319 compostos que consideram daninhos. “Não há dúvida de que a mortalidade nas colmeias tem múltiplas causas”, diz Luis Ferreirim, do Greenpeace. “Mas, se eu tivesse de estabelecer uma hierarquia, o primeiro fator seriam os inseticidas, que são feitos precisamente para matar insetos, como as abelhas.” O ecologista lembra ainda que os herbicidas também são daninhos, pois acabam com as flores que fornecem o principal alimento para as abelhas. “Além disso, contra os pesticidas se pode atuar com mais eficácia e rapidez, enquanto atacar vírus, bactérias, fungos e outros parasitas é muito difícil”, assinala Ferreirim. “E não podemos esquecer que os parasitas estão mais restritos às abelhas, enquanto os pesticidas afetam também os besouros e outros polinizadores naturais que também é preciso proteger.”

Um mundo sem abelhas seria também um mundo sem besouros, e talvez sem flores, pois as abelhas e as flores evoluíram juntas e são as duas caras da mesma moeda de um ponto de vista ecossistêmico. Um mundo triste e monótono como uma cidade fantasma, um pesadelo estéril a apenas um passo do nada. A ciência está mobilizada. A inteligência política deve seguir em sua esteira.  – http://brasil.elpais.com/brasil/2014/06/27/sociedad/1403882714_457916.html

A Casa Branca entra em ação

Obama destina o equivalente a 108 milhões de reais para tentar reverter a queda do número de abelhas

A drástica redução do número de enxames nos EUA atiçou o debate sobre como seria um mundo sem abelhas. Peritos e produtores recordam que um de cada três alimentos no país tem sua origem na polinização de cultivos por abelhas. Consciente da redução e principalmente de que, se essa tendência não for contida, ela poderá ser devastadora para a economia, a Casa Branca decidiu pôr mãos à obra para combater o problema.

O presidente Barack Obama assinou na semana passada um memorando para impulsionar um plano de ação a fim de reverter a queda por meio de iniciativas de investigação, prevenção e proteção. A Casa Branca propôs destinar para essa finalidade o equivalente a 108 milhões de reais no orçamento de 2015. “O problema é grave e requer atenção imediata para garantir a sustentabilidade de nosso sistema de produção alimentar, evitar um impacto econômico adicional no setor agrícola e proteger a saúde do meio ambiente”, adverte o documento assinado por Obama.

O número de colônias de abelhas melíferas tem caído nos últimos 60 anos nos EUA, passando de 6 milhões em 1947 para 2,5 milhões na atualidade

As estatísticas atestam a gravidade do fenômeno, que não é novo, mas se acentuou nos últimos anos. O número de colônias de abelhas melíferas, as mais comuns, tem caído de forma contínua nos últimos 60 anos nos EUA, passando de 6 milhões em 1947 para 2,5 milhões na atualidade. Historicamente, a média de redução das colônias comerciais ficava entre 10% e 15% a cada inverno, mas em 2012 foi de 30,5% e em 2013, de 23,2%, segundo dados da Casa Branca – que, apesar da melhora recente, teme que se chegue a um ponto irreversível.

Os peritos atribuem o retrocesso a uma série de fatores, entre eles a redução da comida disponível, infecções, exposição a certos pesticidas ou perda de diversidade genética. “Trata-se de uma ameaça à estabilidade econômica nas operações de polinização e apicultura, que poderia ter profundas implicações para a agricultura”, alerta o Governo americano.

Os polinizadores – cruciais para a produção de sementes e frutos – produzem um impacto de 24 milhões de dólares (52,8 milhões de reais) na economia americana, dos quais mais da metade corresponde às abelhas. Por meio do transporte de pólen, estas possibilitam a produção de pelo menos 90 cultivos comerciais na América do Norte. Globalmente, contribuem para 35% da produção de alimentos.

Dos 2,5 milhões de abelhas existentes nos EUA, cerca de um milhão poliniza a cada ano os cultivos de amêndoas na Califórnia, responsável por 80% da produção mundial, segundo a Federação Americana de Apicultores. A redução das abelhas está golpeando diretamente as contas do setor: os apicultores perderam ao redor de dez milhões de colmeias, avaliadas individualmente em 200 dólares (440 reais).  – http://brasil.elpais.com/brasil/2014/06/27/sociedad/1403882714_457916.html

NE: A verdadeira razão por trás desse desaparecimento são as diversas tecnologias que irradiam frequências similares ás das abelhas que acabam por se desorientarem e migrarem para locais inóspitos ao seu habitat. É o preço que pagamos pelo “progresso”. Estamos na beira da extinção como espécie e nem por isso recuamos um passo!

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