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O Ebola mais mortífero da história

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em junho 22, 2014

A epidemia do vírus se intensifica nas últimas duas semanas, tornando-se a mais mortífera da história da doença

Um médico veste o traje de proteção para entrar na sala de isolamento do Médicos sem Fronteiras na região de Guekedou. / AFP

A epidemia do vírus Ebola que está afetando três países da África ocidental se intensificou nas últimas duas semanas e já tirou a vida de 337 pessoas, desde que o primeiro caso aconteceu, há mais de seis meses, segundo informou a Organização Mundial da Saúde, tornando-se a epidemia mais mortífera da história da doença. O total de casos se eleva, assim, a 528. Guiné continua sendo o país mais afetado, com 264 mortos, seguido de Serra Leoa e Libéria, com 29 e 24 mortos, respectivamente. O surgimento da doença em uma zona transfronteiriça, na qual ocorrem deslocamentos constantes de pessoas de um povoado para outro, a resistência de parte da população em procurar assistência sanitária por medo do estigma e a irrupção do vírus em duas cidades grandes, como Conacri e Monróvia, são as principais razões das dimensões que o surto atual está assumindo, segundo os epidemiologistas.

Fonte: OMS.

A responsável pela área de Emergências do Médico sem Fronteiras (MSF), Marie-Christine Ferir, assegura que a “propagação do surto de Ebola deve ser atribuída à mobilidade da população que assiste aos funerais sem as medidas de controle adequadas e ao fato de que a doença ainda assusta as pessoas, que se recusam a ser hospitalizadas. Se não forem tomadas medidas, a epidemia vai continuar crescendo. O Ebola se transformou em assunto de saúde regional, por isso é necessário que as autoridades nacionais e as organizações de ajuda internacional aumentem sua ação para sensibilizar a comunidade e enviar mais médicos especialistas à região”.

Até agora, a pior epidemia de Ebola da história tinha sido a primeira, registrada em 1976 na região de Yambuku, atual República Democrática do Congo, que provocou 318 casos e 280 mortos. A irrupção de uma doença então desconhecida fez com que o surto fosse o mais mortífero, pois não foram adotadas medidas adequadas para evitar o contágio a tempo. No entanto, a epidemia atual continua seu avanço incontido por mais que a OMS, os Médicos sem Fronteiras e os respectivos governos tenham implantado uma série de medidas voltadas à detecção precoce, ao isolamento dos doentes e à contenção da doença. Pela primeira vez na história, uma epidemia de Ebola atinge a região da África ocidental e três países ao mesmo tempo. Os especialistas já advertiram há meses: “Será difícil controlar”.

Gemma Domínguez, coordenadora médica do MSF na Guiné, atribui esse recrudescimento da epidemia ao fato de que “muitas famílias afetadas quiseram se esconder, indo para outros lugares, como Telimele, Boffa, Kouroussa e Dubreka, onde apareceram novos focos. E em Guéckédou continuaram surgindo casos devido à resistência da população”. E acrescenta: “De um lado, há uma negação da doença, as pessoas optam por se esconder, e, de outro, uma interpretação particular do que está acontecendo. Correm muitos rumores, há quem diga que a MSF está propagando a doença, que vamos matá-los, que provocamos o contágio para nosso próprio benefício”. E se não procuram os centros de isolamento, a dimensão da epidemia aumenta.

A OMS chegou à conclusão de que o primeiro caso pode ter ocorrido mais de três meses antes de a Guiné informar as autoridades sanitárias.

Para Domínguez, “é necessário triplicar a sensibilização. O Governo está participando, o que acontece é que houve um momento, no início de maio, em que os números eram positivos e parecia que a coisa estava controlada. De certa forma, esse aumento nos pegou de surpresa e agora todos os organismos envolvidos precisam mobilizar muito mais recursos para enfrentar o que está ocorrendo”.

A situação continua sendo preocupante na Guiné, pois continuam surgindo novos casos praticamente diariamente. Na verdade, mais da metade dos mortos, precisamente 173, vêm do distrito de Guéckédou, lugar em que se suspeita que o surto começou. Depois de três meses de pesquisa, os epidemiologistas da OMS chegaram à conclusão de que o primeiro caso pode ter ocorrido em 2 de dezembro de 2013, ou seja, mais de três meses antes que a Guiné informasse às autoridades sanitárias que se estava diante de uma epidemia de Ebola, confirmada oficialmente com exames de laboratório em meados de março deste ano. De Guéckédou, a doença se propagou rapidamente para outras regiões da Guiné florestal, fundamentalmente Macenta e Kissidougou, para chegar então à capital do país, Conacri, onde houve 33 mortes. Pela primeira vez, o Ebola chegava a uma cidade grande e a epidemia começava a adquirir um aspecto cada vez mais alarmante.

No entanto, o vírus também se espalhou por outros países. Em 31 de março anunciou-se oficialmente o surgimento de casos confirmados em Serra Leoa. No país, foram 97 casos e 49 mortes, ainda que o surto agora pareça estar circunscrito à região de Kailahun, muito próxima à fronteira da Guiné na região de Guéckédou, onde foram detectados 92 dos 97 casos e 46 das 49 mortes. Um total de 33 pacientes se encontra atualmente recebendo tratamento no centro de isolamento qualificado em Kenema. Em relação à Libéria, foram 33 casos e 24 mortes, especialmente nos distritos de Lofa, na fronteira com a Guiné, e Montserrado, onde está Monróvia, a capital do país. Na cidade ocorreram 7 das 24 mortes, entre elas a de uma mulher e seu bebê que vieram de Serra Leoa.

Desde meados de março cerca de 3.000 pessoas foram acompanhadas pelos órgãos sanitários de ambos os países depois de entrarem em contato com pacientes que tinham desenvolvido a doença. O Ebola que está atacando a África é uma variedade local da cepa Zaire e apresenta letalidade próxima a 64%. A OMS não recomenda a proibição de viagens nem o fechamento das fronteiras nos três países, pois considera que essas medidas não contribuem para o controle da propagação do vírus e são muito prejudiciais à população.

O Ebola é um vírus encontrado naturalmente em algumas espécies de morcego que habitam as regiões florestais da África. Desde sua identificação em 1976, houve 18 surtos em países como República Democrática do Congo, Gabão, Uganda e Sudão. Depois de um período de incubação que pode ser de vários dias até três semanas, os primeiros sintomas são febre alta, dores musculares, vômitos e diarreia, que podem evoluir rapidamente para hemorragias internas que, em muitos casos, causam a morte do paciente. Uma vez que não há tratamento conhecido, os médicos enfrentam o vírus tentando aliviar os sintomas com o reforço do sistema imune. Uma alta porcentagem de mortos fazia parte das equipes de saúde que estiveram em contato próximo com os pacientes sem tomar as medidas de prevenção adequadas.  – http://brasil.elpais.com/brasil/2014/06/20/sociedad/1403256396_189612.html

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