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A mudança climática trará mais pobreza, êxodos e violência

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em abril 2, 2014

Os impactos do aquecimento já são notados no mundo todo, alertou o último relatório da ONU. Os efeitos aumentarão neste século se medidas não forem adotadas

Imagem desértica do lago Curulai, na Amazônia, feita pelo Greenpeace. / daniel beltra

Os impactos do aquecimento global já são visíveis em todos os continentes e em todos os oceanos, alerta o mais recente relatório do Painel Intergovernamental de Especialistas sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), que traça um panorama futuro muito sombrio se os líderes mundiais não agirem em tempo. Caso medidas não sejam adotadas, o texto prevê que durante este século aumentará o deslocamento de populações, particularmente nas zonas costeiras que serão afetadas pela elevação do nível do mar, pelas inundações e a erosão costeira. O relatório também alerta para a queda nas safras, a extinção de espécies e a degradação dos ecossistemas. E aponta, inclusive, para o risco de conflitos violentos ou guerras civis.

O IPCC, a maior rede científica no mundo dedicada a estudar as mudanças climáticas, divulgou nesta segunda-feira, em Yokohama (Japão), a segunda das três partes de seu relatório de atualização sobre a literatura científica do aquecimento, chamado AR5. Suas centenas de autores, escolhidos pela Organização das Nações Unidas, tiveram mais que o dobro de estudos que a última vez (o AR4 é de 2007) para produzir relatórios que serão fundamentais nas negociações das próximas cúpulas internacionais sobre o clima. O relatório do Grupo I, lançado em setembro, concluiu que a atividade humana é a responsável pelas mudanças climáticas. Agora, o Grupo II apresentou sua revisão dos impactos, a vulnerabilidade dos territórios e as possibilidades de adaptação.

O aquecimento na Europa

Vista das inundações provocadas pelo aumento do rio Guadalquivir. / rafael tena

Menos geleiras, mais secas. O resumo para os políticos apresentado nesta segunda-feira pelo IPCC inclui algumas tabelas que trazem os impactos atribuíveis à mudança climática desde o último relatório de avaliação dos especialistas, denominado AR4, de 2007. Na Europa, os cientistas têm claro que contribuem a esta causa o recuo das geleiras alpinas, escandinavas e islandesas, ou o aumento das massas florestais nas últimas décadas em Portugal e na Grécia. Eles também atribuem à mudança climática a chegada precoce de aves migratórias desde 1970, a estagnação da produção de trigo em alguns países e a alteração na distribuição das espécies de peixes nos mares europeus.

A erosão costeira. Entre os riscos futuros destacados no relatório estão a erosão costeira, as inundações de rios e maiores restrições de água, principalmente por causa do aumento da evaporação que ocorrerá no sul do continente. O texto também adverte para fenômenos de calor extremo, que afetarão a saúde, a produtividade e o risco de incêndio.

Os efeitos do aquecimento global não são uma ameaça futura e vaga, uma vez que já podem ser observados em muitas regiões, garante o IPCC no seu resumo para os políticos responsáveis pelo tema: fenômenos meteorológicos extremos, como ondas de calor, secas e ciclones; colheitas menos abundantes; alterações das chuvas que afetam o acesso aos recursos hídricos… E o mundo está “mal preparado” para lidar com os impactos futuros, acrescentou o comunicado de imprensa que acompanha o documento. O texto foi fechado no fim de semana com os formuladores de políticas e reduz algumas das disposições contidas em um rascunho vazado na semana passada. Abaixo estão alguns dos alertas das previsões apresentadas no relatório:

Conflitos. A previsão é de que a mudança climática aumente o deslocamento de populações durante o século XXI, especialmente em países em desenvolvimento, diz o texto, acrescentando: “Indiretamente, pode aumentar o risco de conflitos violentos em forma de guerra civil entre as comunidades ao ampliar fatores instigadores de conflitos bem documentados como a pobreza e perturbações econômicas”.

Mais pobreza. Os perigos relacionados com o clima “afetam diretamente” as vidas dos mais pobres porque têm impacto em seus meios de vida, na redução das safras, na destruição de suas moradias e, de forma indireta, ao aumentar os preços dos alimentos e a insegurança alimentar.

Costas. O previsível aumento do nível do mar esperado durante o século XXI irá causar inundações e erosão do litoral. Ao mesmo tempo, as projeções mostram que o crescimento da população, o desenvolvimento econômico e uma maior urbanização atrairão mais pessoas para as zonas costeiras, de modo que o perigo será maior. O relatório afirmou que os custos de adaptação a esta realidade variam muito entre os países. No caso de algumas nações em desenvolvimento e de pequenos Estados insulares, fazer frente aos impactos e aos custos de adaptação pode supor vários pontos percentuais de seu Produto Interno Bruto (PIB).

A segurança alimentar. O aquecimento global, o aumento dos níveis do mar e as mudanças nas chuvas afetarão as terras agrícolas. E não para o bem, de acordo com o relatório. No caso de grandes culturas (trigo, arroz e milho) em regiões tropicais e temperadas, o texto falou de “impacto negativo” nas safras se as temperaturas subirem mais de dois graus Celsius e não forem tomadas medidas de adaptação.

Saúde. O relatório observa que a carga de doenças causadas pelas mudanças climáticas é pequena em comparação com outras consequências e que não está bem quantificada. No entanto, o texto acrescenta que já há evidência do aumento da mortalidade associada mais ao calor do que ao frio em algumas áreas como resultado do aquecimento. As alterações de temperatura e a chuva já alteraram a distribuição de algumas doenças transmitidas pela água, acrescenta. Os riscos futuros incluem problemas de saúde em áreas costeiras e pequenas ilhas devido à elevação do nível do mar e às inundações [RFC 1-5], bem como em grandes populações urbanas devido a enchentes no interior. Até a metade do século XXI, o impacto consistirá no “agravamento de problemas de saúde já existentes”. Em longo prazo, mas dentro do século, os cientistas acreditam que a saúde vai piorar em regiões de países em desenvolvimento.

Oceanos. Os efeitos da mudança climática já estão sendo notados: maior aquecimento (provoca deslocamento de espécies marinhas, como o bacalhau atlântico em direção a latitudes polares), acidificação e deficiência de oxigênio.

Ecossistemas. Alguns habitats “únicos e ameaçados” já estão em perigo devido à mudança climática. Se a temperatura média subir um grau, aumentará o risco de “consequências graves”. Com um aumento de dois graus, o risco aumentará para muitas espécies com capacidade de adaptação limitada, especialmente nos recifes de coral e o Ártico. O texto alerta que, se nada for feito, as mudanças em alguns ecossistemas podem ser “abruptas e irreversíveis”.

As zonas rurais. O texto chama a atenção para o perigo que se esconde em áreas rurais devido ao acesso insuficiente à água potável e para irrigação e ao declínio na produtividade das culturas. Os agricultores e pecuaristas em regiões semiáridas serão os mais afetados em um futuro próximo.

O acesso à água. O relatório diz que os recursos renováveis superficiais e subterrâneos “serão reduzidos significativamente” na maioria das regiões subtropicais, o que “intensificará a concorrência pela água entre os setores”.  – http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/30/sociedad/1396210462_854402.html

Nem o rico nem o pobre se salvam

Especialistas constatam danos na Grande Barreira de corais e preveem tensão pela água nos EUA. A pobreza subirá 15% em Bangladesh em 2030

Ejemplares de la Gran Barrera de Coral de Australia. / Reuters

Ninguém se livra e todas as regiões terão que conviver com os efeitos da mudança climática.

África. É um dos continentes mais vulneráveis porque está muito exposto ao aquecimento e ao mesmo tempo tem uma baixa capacidade para mitigar seus efeitos. Detectou-se um aumento da temperatura nos Grandes Lagos e no lago Tanganica, além de uma diminuição de sua produtividade. Também se constatou uma redução na densidade das árvores do oeste do Sahel e no Marrocos semiárido.

Austrália e Nova Zelândia. Há mudanças na estrutura e composição de espécies de corais, tanto na Grande Barreira de Corais como no Recife de Nigaloo, na Austrália Ocidental. Em Melbourne prevê-se que nos dias com mais de 35 graus aumentem entre 20% e 40% para 2040.

Ásia. As temperaturas mais altas conduzem a produções de arroz mais baixas porque os períodos de crescimento são mais curtos. A pobreza rural poderia ser vista agravada pelos impactos negativos na produção de arroz — 58% da população vive no campo— e um acréscimo geral dos preços dos alimentos e do custo da vida. Indonésia, Filipinas ou Tailândia, exportadores de alimentos, se beneficiarão, enquanto Bangladesh experimentará um acréscimo líquido de 15% em sua pobreza em 2030. Os níveis dos aquíferos já diminuíram entre 20 e 50 metros em cidades como Bangkok ou Manila. Esta situação provoca afundamentos de terra, o que aumenta o risco de inundações costeiras.

Europa. Constatou-se um retrocesso das geleiras alpinas, escandinavas e da Islândia; uma alta nas últimas décadas das áreas florestais queimadas em Portugal e na Grécia; e um movimento para o norte de aves marinhas, peixes e invertebrados do nordeste atlântico.

Pequenas ilhas. O acréscimo do nível do mar é a sua principal ameaça. No último século, a erosão crônica afetou 70% das praias de ilhas como Maui ou Havaí.

Regiões polares. A restrição do acesso à vegetação, devido a eventos de formação de gelo mais frequentes derivados da chuva ou efeitos mais quentes, pode comprometer a vida dos ungulados, mamíferos que caminham se apoiando em cascos, do Ártico. Detectou-se uma alta mortalidade em renas, vacas e bois nos últimos anos. Espera-se um acréscimo das oportunidades econômicas com o aumento da navegabilidade no Oceano Ártico.

América do Norte. As secas no norte do México e centro-sul dos Estados Unidos, as inundações no Canadá e os furacões demonstram sua exposição a fenômenos extremos. Os especialistas preveem, com um grau de confiança alta, uma corrente de água do degelo em grande parte do oeste dos EUa e Canadá, e um acréscimo de tensões com a água, a agricultura, e os assentamentos em zonas urbanas e rurais. No México, espera-se que se reduzam as espécies de milho e alguns desapareçam em 2030.

América Central e América do Sul. Contração dos glaciais andinos e acréscimo dos volumes do Rio da Prata, para além do devido à mudança no uso da terra.  – http://brasil.elpais.com/brasil/2014/03/31/sociedad/1396298584_453059.html

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