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O caminho de Matthew McConaughey até ao Óscar

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em março 3, 2014

O Expresso falou com Matthew McConaughey, em Los Angeles, antes da vitória. Leia aqui o artigo publicado este sábado na Revista.

 Matthew McConaughey com uma edição do Expresso antes da vitória nos ÓscaresMatthew McConaughey com uma edição do Expresso antes da vitória nos Óscares

É possível que, numa tentativa de localizar uma imagem mental do moço, ele vos apareça num cenário de lazer, talvez mesmo romântico, com velas acesas algures num pátio sublinhado por buganvília caindo em cascata. Há razões para tal impulso.

Era nesses ambientes que Matthew McConaughey se vinha mostrando com frequência. Até há pouco tempo, as pesquisas na net com o nome dele dariam origem a uma ementa de namoradas e outros postais de praia onde, cru como um Neptuno adolescente, surgia a fazer exercício cardiovascular na areia ou no rebentar das ondas.

O trabalhador de cinema incansável, por seu lado, parecia ir na mesma vaga. Ou, pelo menos, nutria um caso muito sério com a comédia romântica. Parecia ter afinado de tal maneira o contorno de galã que, por vezes, o seu trabalho dramático transitava com demasiada facilidade para os anúncios sicilianos da Dolce & Gabbana que ele protagonizava.

O que até agora não tinha acontecido era associar as palavras Matthew McConaughey à ideia de prémio de excelência inter pares. No entanto, tornou-se impraticável falar do Óscar de melhor ator sem que o seu nome não apareça logo à frente da corrida. A esposa brasileira, Camila Alves, talvez tenha algo a ver com esta revolução.

“Já houve um momento da minha vida, há três anos, em que só conseguia fazer dois filmes por ano”, refere ele ainda com o ar deslumbrado de quem desfez um mistério. “Tinha medo de ter tão pouco espaço entre dois trabalhos. Foi a Camila quem me fez pensar, ao perguntar: de todas essas histórias, quantas queres mesmo ajudar a contar? Quatro, respondi-lhe. Depois perguntou: E se não estiveres disponível as personagens são entregues a outros? Sim, dizia-lhe. Aí ela assegurou-me que eu devia aceitar, fazer tudo aquilo que gosto, que eu iria ter energia suficiente para fazer as quatro histórias e que iríamos certamente arranjar uma maneira de a família funcionar em torno do meu calendário.

Só ela ter dito isso, senti que ia ajudar. E acabou mesmo por se mostrar determinante.” A família, que inclui três filhos pequenos com nomes que vão de Levi a Livingston, passando pela menina do meio, Vida, vive num rancho enorme no Texas, quando não está noutro sítio qualquer onde decorrem as filmagens do pai ou os negócios da moda em que a mãe sempre esteve envolvida. Camila Alves referiu há tempos que viajam todos como se fosse uma trupe ambulante. Matthew e Camila conheceram-se em 2007, por coincidência o ano em que a revista “People” elegeu McConaughey o Solteiro Mais Desejado do ano.

Só muito mais tarde é que casaram formalmente. Mas, pelo caminho, um ator que fingia aventuras no deserto com Penélope Cruz e que já tinha embarcado com Steven Spielberg e Ron Howard em projetos que acabaram rapidamente no esquecimento, ganhou pé firme em Hollywood com uma série de trabalhos que deixaram a indústria maravilhada. Ontem: herói novelesco dispondo de final feliz em Malibu. Hoje: novo Marlon Brando, desta vez bastante mais trabalhador.

FAVORITO AO ÓSCAR

Este ano, o ator de 44 anos recebeu críticas francamente favoráveis nos filmes “Fuga”, “O Lobo de Wall Street” e, claro, “O Clube de Dallas” – no qual ele faz de Ron Woodruf, um eletricista homofóbico que, nos anos 80, tem de recorrer ao mercado ilegal de fármacos para sobreviver mais um dia, outra semana, à praga assustadora do VIH. “Nos Globos de Ouro, a Jessica Chastain leu o meu nome e eu só ouvi Ma… Depois, o aplauso ensurdecedor. Na minha cabeça revia, em lista e depressa, o nome dos outros nomeados, para perceber se poderia ter sido outra pessoa.” Só depois regressou à realidade e compreendeu que o escolhido tinha sido, efetivamente, ele. Levantou-se. Nem sequer trazia discurso preparado. “Nos vários instantes que levam aos prémios, por vezes dou comigo perante algo com que nunca antes me tinha confrontado: se acontecer, que vou dizer? Mas detenho-me logo. Ora aí está uma boa maneira de perder a coisa. Uma pessoa não planeia um discurso para algo que ainda não ganhou.” Está a gostar desta fase da sua vida. “Quem sabe se, no futuro, vai haver mais prémios. O que eu sei é que esta é a primeira vez. Não vai haver outra primeira vez.”

No meio disto tudo, no meio do respeito supostamente súbito ao fim de 20 anos de trabalho consecutivo, é interessante reparar como o contentamento da domesticidade desponta onde menos seria previsível. “Temos uma espécie de recanto, mesmo no meio da área de convívio, que é um bar. Foi ali que coloquei as estatuetas. Mas o meu filho mais velho e a minha filha gostam de brincar com elas. Vou dar com os prémios nos sítios mais díspares. Já lhes disse que podem tocar, mas não podem partir!”

Mais tarde, declara que já lhe ocorreu deixar o exercício físico para as horas que passa a brincar com os filhos.  Garante que as tarefas caseiras são partilhadas segundo regras de harmonia: cada um faz aquilo que mais gosta. O resto é dividido por todos. Pai e ator cruzam-se nos mesmos corredores. “Sempre fui um indivíduo que soube criar momentos só para mim, entre responsabilidades. Mas não há nada que nos ligue mais à realidade do que a família. Até parece um cliché, com a diferença que não tem graça nenhuma. Quando são sete da manhã e a criança de um ano chora com fome porque chegou a hora da refeição, tens de parar o que estás a fazer. Vais, limpas, mudas a fralda e, a seguir, alimentas quem precisa. Será que é esse tipo de atividade que traz um tipo como eu de volta à Terra? Não sei. Mas é a realidade. E eu faço o que tem de ser feito.” Confessa que talvez um dos espaços mais privados continua a ser o exercício físico, sobretudo quando propulsionado pela música. “Preciso da exaustão física. É aí que entro em meditação profunda. Só então consigo ficar verdadeiramente cansado. Não consigo pensar, não quero pensar. Isso também ajuda. Só eu e alguma música.”

O MELHOR MOMENTO DA CARREIRA

Os tempos são, de facto, outros. Antes, Matthew McConaughey recebia sem heroísmo os guiões que outros rejeitaram. Faltava-lhe, diziam, a força gravitacional de George Clooney. Hoje está não só a ser devidamente pago como reconhecido. É verdade que foi durante demasiado tempo um mero serviçal de narrativa, competente. Davam-lhe um trabalho, ele cumpria. Sabia fazer de cientista em “Contacto”, ao lado de uma mulher tão cerebral como Jodie Foster, da mesma maneira que conseguia ritmar o pélvis e os piropos na companhia de, por exemplo, Kate Hudson, numa historieta de final feliz. E excedia. Estivesse ele em “Juventude Inconsciente”, a fazer de rebelde sem causa, ou em “Amistad”, ao lado de Anthony Hopkins, o ator exibia a intensidade dos meticulosos. Mas nunca como nas suas últimas intervenções uniu de forma tão perfeita talento, maturidade, origem cultural e matéria dramática. O facto é que desde “Cliente de Risco” (2011) e passando por “Killer Joe”, o ator arde numa combustão exuberante.

Por cima deste triunfo pessoal reina o companheirismo fiel de Camila Alves. “A minha mulher não é o tipo de pessoa que me diga para ir trabalhar porque só assim posso mostrar o meu valor. O que ela faz é acordar às quatro e meia da manhã. Não tinha de o fazer. Levanta-se quando eu tenho de me levantar. E, quando nos separamos, de madrugada, ela diz: vai mostrar-lhes. Não me diz para ter cuidado. Diz para ir à luta. É fantástico merecer tal parceria e apoio.”

Ele trata-a por Lady Camila. A trupe foi, há tempos, passar cinco semanas ao Brasil. Onde quer que estejam, os cães seguem também. Há, inclusive, pássaros. Mais uns quantos gatos. E, para já, três crianças. “A família enriquece o trabalho e, por outro lado, ajuda a que demos mais seriedade à carreira. Compreendo que não possa estar sempre com a minha família, porque é bom ter emprego e saber que o tempo está a ser ocupado na realização de um filme. Mas estou consciente que é em casa que tenho a minha obra épica.” Rui Henriques Coimbra – http://expresso.sapo.pt/o-caminho-de-matthew-mcconaughey-ate-ao-oscar=f858917

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