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Maduro começa a perder o controle dos grupos armados na Venezuela

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em fevereiro 20, 2014

Quadrilhas para-policiais que apoiam o Governo atemorizam a oposição enquanto os protestos se espalham por Caracas

  • O Governo de Maduro militariza um Estado da Venezuela

Protesto da quarta-feira em Caracas. / leo ramírez (afp)

A noite de quarta-feira foi mais longa que o normal na Venezuela. As informações das redes sociais, a única plataforma capaz de driblar o grotesco cerco à informação na televisão implantado pelo Governo de Nicolás Maduro, anunciavam importantes distúrbios em alguns setores de Caracas. Este jornal obteve depoimentos de primeira mão dos fatos ocorridos nos setores residenciais de Horizonte, região leste de Caracas, e Santa Fé, no sudeste da capital venezuelana. Tudo indica que o regime chavista começou a perder o controle dos grupos armados que apoiam a autodenominada revolução bolivariana.

A partir dessas vozes é possível reconstruir o ocorrido porque repete o mesmo padrão. No final da tarde da quarta-feira, como nos dias anteriores, os manifestantes opositores fecharam as ruas de seus condomínios erguendo pequenas barricadas de lixo e troncos que depois incendiaram. O cansaço ou uma repressão moderada acabavam com os protestos. Mas a quarta-feira foi diferente. Enquanto o presidente Maduro falava em todos os canais do país, começou uma dura repressão, pouco comum até hoje, com a atuação combinada das equipes anti-motins da Polícia Nacional Bolivariana, a Guarda Nacional Bolivariana e os membros de base do chavismo agrupados sob o eufemismo de coletivos.

Os coletivos são, na realidade, quadrilhas para-policiais que apoiam o Governo e atemorizam a oposição. Muitos deles se apresentam como promotores culturais ou esportivos nas zonas populares de Caracas, como o setor 23 de Enero. Mas quando se incrementam as tensões com a oposição atuam como força de choque civil. Isso aconteceu na noite da quarta-feira em Horizonte, quando chegaram em motocicletas para tentar abrir o trecho da avenida Rómulo Gallegos, uma das vias mais importantes da cidade, que passa pela frente desse setor, lotado de prédios de apartamentos residenciais. Uma testemunha contou a este diário como faziam rugir suas motos para assustar os vizinhos e disparavam ao ar. Alguns motoristas assaltavam os opositores que se separavam do grupo. Os vizinhos lhes jogavam pedras e garrafas dos prédios. Outros disparavam. Pouco depois a Guarda Nacional atuou e foi recebida do mesmo jeito. Então aconteceu o pior. Um funcionário público apontou para o edifício Vista, de onde supostamente lhes jogavam garrafas, e atirou uma bomba lacrimogênea que entrou por uma janela e incendiou um escritório do terceiro andar que funciona como depósito de uma empresa que vende equipamentos de telefonia celular, Dilo C.A. Então os disparos acabaram.

Em Santa Fé os vizinhos fecharam a rodovia de Prados del Este, que comunica o sudeste da capital com o centro, das 6:00 da tarde da quarta-feira. Mais tarde, o protesto tornou-se violento. Alguns vândalos tentaram queimar um cachorro com a intenção de fazer crescer as barricadas formadas com restos de lixo. Também queriam impedir o passo de uma ambulância, que trasladava a um ferido para uma clínica, e agrediram o motorista. Após esses episódios, vários motoqueiros vestidos de preto dispersaram com disparos ao ar a quem fechava a via. Dos prédios vizinhos respondiam com pedras e garrafas. Nessa região, os vizinhos relataram disparos de armas de fogo.

Mas os protestos não se limitaram aos setores de classe média. Na freguesia La Candelaria, no centro de Caracas, um homem captou o momento no qual uma patrulha da Guarda Nacional abordava várias pessoas que colocavam obstáculos no trânsito. Mais tarde um dos manifestantes foi ferido enquanto fugia com um disparo no pé. Mais para o norte, na avenida Panteón, um homem identificado como Roberto González recebeu um disparo na virilha. Seu estado é delicado.

A atuação combinada das forças de segurança com os grupos civis sugere que as operações têm uma unidade de comando. Na quarta-feira Maduro se descolou desses grupos civis. “Eu dei a ordem de parar a essas pessoas que se chamam de chavistas para atemorizar a classe média”, disse em uma mensagem na tevê. Como prova disso, o governante venezuelano se referiu a uma concentração de trabalhadores chavistas das empresas estatais do ferro e alumínio, atacada a tiros em Puerto Ordaz, estado Bolívar, no sul do país. O ministro de Educação, Héctor Rodríguez, que acompanhou a manifestação mostrou fotografias de pessoas que atiraram dos telhados vizinhos ao lugar onde se manifestavam.

O deputado Miguel Pizarro informou à agência Efe que 138 pessoas foram presas pelos distúrbios da quarta-feira em Caracas. Embora a capital amanheceu com suas vias vazias, nas tardes o panorama costuma mudar. A tensão na Venezuela está-se incrementando.  – http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/20/internacional/1392925597_400940.html

O Governo de Maduro militariza um Estado da Venezuela

O sucessor de Hugo Chávez reconhece os problemas para controlar a ordem pública na capital de Táchira, a cidade de San Cristóbal

Protestos contra o Governo de Nicolás Maduro em Caracas. / REUTERS

O Governo venezuelano reconheceu o grave problema de ordem pública que se vive em San Cristóbal, a capital do Estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia. O ministro do Interior e Justiça Miguel Rodríguez Torres assegurou nesta quarta-feira que, por causa dos protestos, a cidade está submetida a um virtual toque de recolher. Em resposta, o Governo decidiu suspender o porte de armas, militarizar com o Exército todas as vias de acesso a essa localidade e enviar reforços da Guarda Nacional Bolivariana para restabelecer a ordem pública. Mas não contente com isso, o presidente Nicolás Maduro ameaçou impor um estado de exceção especial na cidade se com estas primeiras decisões o controle não for recuperado.

Essa declaração de Maduro é um marco em quinze anos de Governo chavista. Nem na pior de suas circunstâncias – que incluem um breve golpe de Estado em 2002 e uma greve de dois meses no setor de Petróleo de Venezuela, a principal fonte de rendimentos do Estado – seu antecessor Hugo Chávez mencionou essa possibilidade. No relato do chavismo, a suspensão de garantias constitucionais lembra a repressão e coincide com as piores crises dos Governos da democracia de partidos (1958-1998), seus inimigos históricos. Quando em 1989 ocorreram os protestos depois batizados de El Caracazo – manifestações em massa e saques na capital contra o então presidente Carlos Andrés Pérez depois da aplicação das receitas econômicas sugeridas pelo Fundo Monetário Internacional – O Executivo da época restringiu a circulação e impôs um toque de recolher à população durante a noite do segundo dia de protestos. Para um Governo que se diz de esquerda e defensor dos pobres, a decisão de Maduro poderia ser interpretada como um sinal de debilidade nunca antes demonstrada.

Em todo o caso, o governante venezuelano elaborou um relato dizendo que o que ocorre em San Cristóbal segue a lógica das operações do paramilitarismo colombiano, que teriam, sempre segundo sua versão, o prefeito da localidade, o opositor Daniel Ceballos, como o líder dessa caótica situação denunciada. “O Táchira está sendo assediado pela Colômbia”, detalhou. O ministro do Interior e Justiça Miguel Rodríguez Torres disse que a prefeitura da cidade desenvolve um plano subversivo. O lixo não é recolhido e esse material é utilizado para acender fogueiras e fechar vias. A situação faz Maduro pensar que a oposição quer converter a capital do Táchira “na Bengasi da Venezuela”. “Não vamos permitir”, disse. Nós defenderemos o Táchira com nossa própria vida se for necessário”, expressou.

Após o que disse Maduro, Ceballos publicou em sua conta de Twitter: “Maduro e Vielma, nosso povo acordou. Suas ameaças são a melhor demonstração de nosso avanço. Estou do lado correto da história”.

San Cristóbal foi uma das primeiras cidades onde começaram as manifestações de rua contra o Governo. Há quinze dias, o governador do Táchira, o oficialista José Gregorio Vielma Mora, presenciou uma invasão à residência de governadores, que sofreu estragos causados por pessoas ensandecidas. Por isso, três estudantes foram presos e levados a uma prisão Estado de Falcón, na região noroeste do país. Esta decisão provocou o aumento das manifestações na região andina e em todo o país. Após uma semana, eles foram colocados em liberdade condicional.

Enquanto isso, em Caracas os choques entre a Polícia Nacional Bolivariana e os manifestantes na praça Francia, o bastião opositor, aumentaram de intensidade. A polícia entrou com tudo para pegar os manifestantes, usando gás lacrimogêneo e derrubando as motos serviam de transporte a eles. A quantidade de bombas jogadas espalhou um forte cheiro quase asfixiante na área central do município de Chacao e nos arredores, em Bello Campo e La Castellana. A repressão oficial foi rechaçada pelos vizinhos. Alguns abriam a porta dos edifícios em torno da praça para os manifestantes entrassem.

Outras localidades como Caurimare, também um bairro de classe média, concentraram 200 pessoas que juntavam pneus velhos e troncos de árvores para acender fogueiras e gritar contra o Governo. A estrada Prados del Este, que liga ao sudeste da capital venezuelana, foi fechada no final da tarde desta quarta-feira por pequenos grupos. A voz dos protestos é cada vez mais alta e desafiante.  – http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/20/internacional/1392871583_553235.html

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