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Shirley Temple morre aos 85 anos

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em fevereiro 11, 2014

A atriz mais famosa dos anos 30 nos Estados Unidos morreu em sua casa na Califórnia. ‘Olhos encantados’ foi seu primeiro papel como protagonista no cinema

Shirley Temple fallece a los 85 años. A menina prodígio mais popular do cinema. / Reuters

A criança dos cachos de ouro, a mulher que tantos filmes realizou ao longo de sua vida, a atriz Shirley Temple, morreu aos 85 anos. A atriz morreu em sua casa de Woodside (Califórnia). “Ela estava rodeada por sua família e cuidadores”, segundo um comunicado da família. A maior parte dos filmes que realizou foram feitos quando era criança. Aos três anos, começou a trabalhar para o cinema. Apareceu em importantes filmes no início dos anos 30. De 1935 a 1938 foi a atriz que registrou maior sucesso de bilheteria nos Estados Unidos.

Shirley Temple conseguiu um Oscar especial mirim em 1935 pelo filme Bright Eyes (Olhos encantados), quando tinha só seis anos de idade. Com isso, tornou-se a atriz mais jovem a ganhar um prêmio da Academia. Atuou em um total de 43 longas-metragens, mas apesar de seus dotes para cantar, dançar e atuar teve dificuldade de manter a carreira quando adulta e abandonou o cinema em 1950 aos 22 anos. Foi dirigida por cineastas como David Butler, Walter Lang ou John Ford. Realizou papéis dramáticos e de comédia até deixar o cinema.

Nascida em uma família de classe média da Califórnia, estudou teatro desde criança, além de canto e dança em diversos institutos. Aos três anos, foi eleita para atuar em diversos curtas-metragens para a empresa Educational Picturesy, depois fez breves aparições em longas-metragens em papéis sem destaque. Ela obteve seu primeiro papel como protagonista em 1934 em Olhos encantados, que a consagrou. Entre as produções mais destacadas que atuou quando criança se destacam The Little Colonel, Curly Top, Wee Willie Winkie , Heidi, A Little Princess, The Bachelor and the Bobby-Soxer e Fort Apache, todas estreadas durante as décadas de 1930 e 1940.

Na Espanha ela também teve sucesso, embora em menor medida: a pequena coronel, a simpática orfã, a pobre criança rica, a mascote do regimento, a pequena princesa… até que, como ocorreu com muitas outras figuras do cinema, ao se converter em pessoa pública, ficou de lado. Chegou a perder a oportunidade de protagonizar o hoje mítico O Mago de Oz, que ficou com Judy Garland.

Depois de sair do cinema, ela se dedicou à política a serviço do partido republicano, convertendo-se em delegada das Nações Unidas graças a uma nomeação de Richard Nixon, e mais tarde embaixadora em Gana e na Checoslováquia, onde assistiu à revolução da Perestroika. Mas poucos lembravam dela como a grande estrela infantil que foi, a maior fonte de faturamento das produtoras em seus anos de esplendor. Sua vida pessoal passou ao anonimato, embora sua imagem tenha perdurado. Em 1951 Luchino Visconti dirigiu Bellísima, que tem uma cena de um casting para encontrar uma nova criança prodígio com a frenética (e genial) Anna Magnani, disposta a tudo para converter sua filha em uma nova Shirley Temple. Mas o neorrealismo italiano era o oposto do glamour da Hollywood Dourada, e a tragédia aparecia oportunamente em Bellísima.

Ao ver hoje os filmes infantis filmes de Shirley Temple o espectador pode ter diferentes reações. Alguns seguirão a valorizando pelos indiscutíveis talentos de criança prodígio, mas outros poderão considerar suas perfomances simplesmente ensaiadas e insuportáveis.  – http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/11/cultura/1392115336_552631.html

Shirley Temple: 50 cachos dourados que enfeitiçaram Hollywood

Ela esteve ao lado de mitos como Clark Gable e Gary Cooper e serviu de rosto a uma linha de bonecas. Recebeu um Oscar especial juvenil. Tudo isso antes de completar 10 anos. Shirley Temple morreu na segunda-feira em sua casa em Woodside, na Califórnia, rodeada de familiares e entes queridos. Um mito do cinema infantil fundamental da Era Dourada de Hollywood (1935-1939). Tão dourada como seus 50 cachos.

http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/11/album/1392116673_761401.html#1392116673_761401_1392118488

Shirley, a trabalho em Praga

Relato sobre a figura de Shirley Temple durante a Revolução de Terciopelo em Praga

A atriz e diplomata norte-americana Shirley Temple. / Terry O’ Neill (getty images)

STB eram as siglas que mais podiam atingir um corpo na antiga Checoslováquia: o serviço secreto da Segurança do Estado. E no entanto, foram também as siglas da abertura para o mundo, quando, naquele verão e outono de 1989, o presidente Bush pai nomeou Shirley Temple Black, a célebre criança feliz, para uma das frentes da Guerra Fria.

“Servi mais na função pública do que sob os focos… mas continuo sendo aquela atriz”, suspirava Temple, ainda rodando os olhos como fazia naquele modo célebre que conquistou uma geração. “Uma ajuda ou outra, com certeza”, disse, risonha ao grupo de jornalistas, em seu estilo despachado, em frente ao bucólico jardim do Petřín.

A antiga atriz era a nova embaixadora norte-americana em Praga e a Revolução de Terciopelo mal acabara de começar. Ao presidente Husák, tinha dito diretamente, ao apresentar as credenciais, que ela tinha estado na Checoslováquia durante a primavera que, em 1968, ele tinha tramado exterminar. “Nós atores temos memória fotográfica”, dizia com seu maior talento diplomático.

Temple lembrava ter saído em um comboio de automóveis, e ninguém sabia se o soviéticos disparariam sobre ele. Era o segundo dia da invasão e os irmãos do Pacto disparavam para valer. Tal era o risco, que os americanos preferiam organizar um trem secreto, de acordo com os checos. Saiu e decidiu que, o do ano anterior, por uma cadeira em um distrito na Califórnia, era em piada; agora a política começava de verdade.

De perto, Temple era tudo menos o que você esperava: podia ter sido a orfãzinha, a mascote, a princesinha ou a miss Broadway, frequentemente classificada entre a pobrezinha e a senhorita; mas, ao mesmo tempo, tudo isso estava nela, naquela carreira da mais modesta Califórnia, aos encontros da Guerra Fria, passando pelo cinema dourado.

Era afável, séria e inteligente antes de mais nada, segundo Paul Hacker, responsável pela delegação americana na Eslováquia: “Era amável, mas não lhe escapava uma”. Sentia ambição política já aos trinta anos e, depois de perder alguma eleição com os republicanos, Nixon a enviou às Nações Unidas. Depois foi o primeira Chefe de Protocolo e embaixadora na África. Então pensava que “o importante era o serviço público, não a política. Mas é claro que se importava com a política”.

Roma e Viena haviam sido dois presentes, mas não da maneira como esperou Temple. Teve diversos postos não lucrativos, do conselho da universidade de Stanford ao Consulado de Relações para Estrangeiros, e esteve à frente da Comissão para a Unesco ou das Relações Sino-Americanas “Sempre que podia, insistia em estar ao dispor da função pública”. Bush pai a ouviu e a enviou a Praga, meses antes da queda do bloco oriental.

A Europa inteira parecia despertar de um longo pesadelo e era habitual vê-la com Havel e seus amigos músicos e atores, com os Stones ou com Frank Zappa e Kocáb. Nos Países Checos e na Eslováquia, Temple desfrutava e ainda desfruta de um reconhecimento que ia muitíssimo além de seu papel diplomático: Aqui é Širlejka. Um floreiro eslovaco batizava uma nova variante da planta gladíolo com seu nome já em 1935! A ideia de uns cachos dourados sobre a nebulosa decadência de Praga era então a imagem de uma repentina porta para Hollywood.

Temple estava orgulhosa de sua embaixada, no palácio Schönborn na Malá Strana, construído por Colloredo e decorado por Santini. No edifício, explicava, vivia Kafka. Foi em 1917, durante a Grande Guerra; ali cuspiu sangue pela primeira vez, uma noite, e soube de sua tuberculose; ali começou a escrever seus Diários.

Ao me ver indo para Praga durante a revolução, essa figura histórica do cinema chamada Enrique Herreros queria de qualquer modo que eu levasse uma mensagem sua à embaixadora. Temple, surpreendida e afetuosa, tomou a carta entre suas mãos; apalpou sem abrir: “Acho que é uma foto”, disse como uma travessura no olhar, e “não acho que deva abrir na sua frente”. Não custa imaginar a travessura de Herreros, que se fotografou literalmente com todo mundo do cinema mundial. Ramiro Villapadierna é diretor do Instituto Cervantes em Praga. http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/11/cultura/1392134162_627807.html

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