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Michelle Obama não é portuguesa, com certeza

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em janeiro 10, 2014

 

 

Se a ideia era instalar um bode na sala, Michelle Obama bem que conseguiu. Para seus 50 anos, a serem comemorados no dia 18 de janeiro, um dia depois do aniversário de fato, a primeira-dama dos Estados Unidos enviou convites para uma festa “Snacks & sips & dancing & dessert” (algo como “lanchar, bebericar, dançar e comer sobremesa”). E orientou os convidados a “comer antes de ir”. A imprensa americana só fala disso: se é o alvorecer de uma nova etiqueta, se foi deselegante de fato, se a prioridade de Michelle é dançar etc. etc. Alguém até levantou a história de que a decisão pode ter a ver com austeridade nos novos tempos. Mas não vi discussão sobre quanto custará a festa ou se terá alguma parcela, mesmo que mínima, de dinheiro público no meio.

O fato é que tem um bocado de gente chocado com o fato de a primeira-dama esnobar a comida. Colin Cowie, guru de entretenimento de Oprah Winfrey, resumiu: a arte de receber bem inclui ótima música, bar cheio e comida excelente. E já que é para discutir o bode, vamos lá.

Para quem cresceu à volta de uma mesa portuguesa, é inadmíssivel tratar comida como uma parte menor da festa. Na infância, por exemplo, não tinha essa de jantar leve. Era uma carne sempre acompanhada de salada ou sopa, arroz, feijão e outros complementos, tudo posto à mesa em travessas.

Aliás, se a história fosse na terrinha ou um pouco mais a leste, na Bota, a polêmica ganharia contornos bem mais sérios. Numa festa, não basta ter comida. É preciso ter comida para o dobro de gente. E sobrar ou desperdiçar não está em questão. Ou o convidado come por dois ou leva umas sobrinhas para casa. Eu tinha uma bisavó — portuguesa de nascença — que chegava às festas de tupperware (vazio) na bolsa. Sacava seu potinho sem o menor drama e ia enchendo durante a festa. Não saía sem ao menos um pedaço de bolo. Virou anedota da família.

Vi duas iniciativas fantásticas. Numa festa de aniversário, os anfitriões encomendaram quentinhas de alumínio para os convidados levarem bolo e doces no fim, devidamente tampados. Foi a evolução definitiva e civilizada do embrulho de guardanapo — que atire a primeira pedra quem nunca fez. E, num casamento, os noivos colocaram saquinhos de plástico ao lado da farta mesa de doces, para ninguém precisar ter o olho maior do que a barriga ou, por outro lado, amanhecer pensando: “Por que não comi mais daquele brigadeiro de chocolate belga?”

Dá uma agonia danada ver alguém planejar uma grande festa e se preocupar primeiro com a cor das toalhas ou a lembrança a ser entregue no final. Em festa infantil, é o mesmo princípio. Comida fria, meia boca ou insuficiente é o bastante para estragar uma superprodução com mais cenário do que musical da Broadway. Melhor a simplicidade de comida e bebida fartos e uma recreação divertida. De acordo com a idade dos convivas, é claro que a parcela de importância da bebida cresce ou diminui. Mas nunca vi alguém reclamar de ter boa comida à disposição.

Dona Michelle, faltam menos de dez dias para a festa. Se a ideia era austeridade, o que é muito bem-vindo, talvez dê para cortar um globo de luz aqui, uma toalha decorativa ali, outro supérfluo acolá. E ainda dá tempo de pôr mais água no feijão. Maria Fernanda Delmas – http://oglobo.globo.com/blogs/mamaeeuquero/posts/2014/01/09/michelle-obama-nao-portuguesa-com-certeza-520378.asp

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