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Blood Mary and the Munsters – Rockabilly “way of life”

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em dezembro 21, 2013

  • Niterói tem uma turma que se diverte como se estivesse seis décadas atrás

 Old School. A banda Blood Mary and the Munsters: rockabilly tipicamente niteroiense Foto: Guilherme LeporaceOld School. A banda Blood Mary and the Munsters: rockabilly tipicamente niteroiense Guilherme Leporace

RIO – Se pudesse pegar emprestada a fantástica máquina do tempo de Doctor Who, Lia Amancio diria, sem titubear, para onde iria se teletransportar. Seu destino seria a Nashville da década de 50, e, de preferência, o “desembarque” aconteceria no meio de um show de Johnny Cash. Não que viajar seis décadas para o passado fosse modificar muito o cenário ao seu redor. A moça, que trabalha na área de comunicação, vive num prédio cinquentinha, daqueles com colunas em forma de “V”. Para visitá-la, é preciso pegar um elevador pantográfico e, em seguida, esperar que ela abra a porta de seu apartamento usando uma saia de bolinhas, topete e batom “vermelho paixão”. Lia vive com a cabeça em outro lugar, em outra época. Fã do som e da moda que imperavam na primeira metade do século XX, ela fez do rockabilly seu estilo de vida.

Lia não é a única. Apesar de os mais radicais afirmarem que não há mais lugar na mídia para o gênero musical proveniente do country, do rock e do blue grass, não falta gente por aí desfilando de costeletas e creepers (aquele sapato preto e branco de salto que arrasava quarteirão). E, além de cuidar do visual, essa turma arregaça as mangas para criar ambientes em Niterói ao melhor estilo “Estados Unidos de antigamente”. O advogado Marcus Ramalho, apaixonado por tudo que envolve o universo rockabilly, organiza desde março o chamado Rebel Day. A intenção é que os frequentadores do evento voltem no tempo em carros antigos e motos retrô, cercados de pin-ups e embalados por um baixo acústico e uma bateria jazzística.

— A primeira edição aconteceu em março e reuniu pouco mais de cem pessoas no Largo do Marrão. No segundo e no terceiro Rebel Day, no mesmo local, tivemos mais de 500 pessoas em cada um. Jovens e senhoras vasculharam guarda-roupas e brechós e fizeram sucesso. Rockabilly é um estilo de vida que agrega o pinguim em cima da geladeira, a vitrola, o refrigerante em garrafa de vidro… — diz Ramalho, acrescentando que a quarta e última edição de 2013 acontecerá no fim deste mês, em data ainda não definida.

Ramalho é fundador da banda Blood Mary and The Munsters. Blood Mary é o pseudônimo de Mariana Oliveira e “os monstros” são os outros integrantes do grupo. Após viagens a festivais rockabilly em Las Vegas, São Paulo e Curitiba, ele decidiu tocar o gênero por essas bandas. Ele assumiu um baixo acústico e passou a se apresentar ao lado da vocalista Mariana, do guitarrista Geraldo André, do trompetista Iury Hainfellnes, do baterista Francesco Nizzardelli e do tecladista Daniel Bessa. Com pouco mais de um ano, a Blood Mary and The Munsters tem um videoclipe gravado (da música “Tough lover”, imortalizada por Etta James) e uma agenda de shows em Niterói e no Rio. Além disso, a banda lançará em breve o álbum “Ten songs to dance with zombies” em formato LP, é claro.

— Recebemos elogios de fãs do rockabilly dos Estados Unidos e da Alemanha — conta Ramalho.

Ter um topete não basta: é preciso usar roupa original

Que nenhum engraçadinho levante a saia para olhar, mas até as roupas íntimas da publicitária Ana Bandarra são da década de 50. Fazer compras, para ela, é um prazer. E também uma saga.

— Eu usava peças inspiradas em outras épocas, mas, conforme fui ganhando dinheiro, comecei a comprar roupas originais pela internet e em brechós na Inglaterra. Hoje, até meu maiô e minhas calças jeans são antigas de verdade — conta ela, que, agora, está de olho num macacão costurado nos anos 30 — Tenho um grande interesse por objetos do passado. Os de hoje estão perdendo a beleza.

Para manter esse estilo de vida, Ana — que sempre se apresenta no Rebel Day com sua banda Digga Digga Duo — lava suas roupas com menos frequência e ressuscita práticas do tempo da vovó, como engomar tecidos. Se, para o leitor, essa moça parece um pouco radical, o tatuador Gustavo Silvano, da Pin-Up Tattoo, vai além. Categórico, ele rechaça as pessoas que estão nesse carro conversível chamado rockabilly atraídos pela moda. Fazer parte dessa panelinha implica em adotar um estilo de vida compatível com os ideais dos anos 50. Silvano sente orgulho de sua turma e ajuda a manter alguns mistérios que a cercam. Ele não revela como corta seu cabelo nem conta qual é o gel que usa em suas madeixas.

— Só compro roupas fora do Brasil. Tem uma galera que entra nessa porque é moda e há aquela que cultua mesmo o estilo de vida. É uma filosofia, eu respiro rockabilly — explica ele.

O tatuador viaja uma vez por ano para os Estados Unidos — adora os festivais rockabilly da Carolina do Norte — e se lamenta por não ter visto, ao vivo, o “68 Comeback Special”, show que marcou a carreira de Elvis Presley. Seu xodó? Uma edição limitada da guitarra Es 295 Gold Top.

Foi Silvano o responsável pelas cinco tatuagens com temas náuticos, inspiradas nas obras do tatuador Sailor Jerry (um ícone nessa seara), que o fotógrafo Fernando Carvalho tem nos braços. Ele descobriu o rockabilly em 2008, quando foi a um festival no Rio.

— Eu me identifico mais com o psychobilly, que é uma vertente do rockabilly anos 80, com uma pegada punk. É mais violento e visceral, com uma influência dos quadrinhos e dos filmes de terror e de ficção científica. O melhor show que já vi foi o da banda dinamarquesa Nekromantix, em Curitiba — lembra Carvalho.

Os festivais de São Paulo e Curitiba atraem milhares de topetudos, e Lia Amancio acredita que Niterói está entrando, aos poucos, nessa cena.

— Saí da cidade anos atrás, voltei agora e vejo o movimento crescer. Acho que essa geração é saudosista porque as coisas antigas passavam mais segurança. Até os objetos duravam mais — afirma Lia.

Ela começou a frequentar festivais em 2002. Cinco anos depois, conheceu um francês que, de tão ansioso para formar um par de lindy hop (dança típica dos anos 30), decidiu dar aulas de graça para uma turma no Rio. Foi aí que Lia diz ter se encontrado.

— Eu adoro! Mas nem tudo da década de 50 é melhor que hoje. Gosto de votar e de usar a internet, e acho sensacional dividir as tarefas domésticas com meu marido — diz, zombeteira, olhando para o músico Cid Mesquita.

É com ele que Lia divide o pote de escovas de dente, as composições da banda Uisqueletos e uma coleção invejável de vinis. Ele a chama de “boneca” e é tratado como “chuchu”. Já as pessoas que o veem na rua o descrevem de outra forma…

— Sempre rola um apelidinho, tipo Elvis e Wolverine — diz Cid, achando graça — Durante a semana, trabalho num banco. Na sexta-feira, vou de creepers, camisa antiga e levo meu ukelele para tocar no almoço.

Para manter uma cinturinha de pilão, Lia descobriu um hobby do passado muito eficaz: rodar bambolê. Como não existe no mercado um modelo para adulto, ela e suas amigas compram tubos de irrigação e fazem a peça num tamanho adequado.

Outra pessoa que resgatou um truque da década de 50 é Sandra Rodrigues, que administra um estúdio de tatuagem, em Itaipu, com o marido Marcelo Oliveira. Em sua casa, palha de aço é usada para segurar topetes.

— Amamos rockabilly, motos antigas e a estética pin-up — diz Sandra.

E foi exatamente essa estética que fascinou as universitárias Pamely Monte e Anna Paula Toledo. Há dois meses, elas criaram o perfil Vintage, Rockabilly e Topetes no Facebook.

— Foi minha tatuagem de pin-up que abriu esse universo. Depois veio Johnny Cash, Lavern Baker e o amor por um tempo em que as pessoas eram mais inocentes — suspira Pamely, uma estudante de psicologia que acha ter nascido na época errada.

Anna Paula cultua principalmente a estética rockabilly. Desde 2007, ela mantém o fotolog My Punkaches, com imagens femininas das décadas de 20 a 50. Mas a paixão se restringe a um hobby.

— É difícil incorporar a estética num ambiente corporativo como o meu, o do Direito. Mas procuro celebrar os tempos antigos pelas músicas e fotos. Minha obsessão, agora, é por uma vitrola — conta Anna Paula. Cibelle Brito / Natasha Mazzacaro – http://oglobo.globo.com/rio/bairros/rockabilly-way-of-life-10341909

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