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Brasil dá posse à primeira professora travesti

Posted by REPÚBLICA BANANA PEOPLE em dezembro 14, 2013

Luma Nogueira de AndradeA primeira travesti brasileira a obter um título de doutoramento tomou posse esta semana como professora da Universidade de Integração da Lusofonia Afro-brasileira (Unilab), no estado do Ceará, região nordeste do Brasil. Filha de pais agricultores analfabetos, Luma Nogueira de Andrade encontrou nos estudos uma arma para lutar contra as dificuldades financeiras e contra o preconceito dos colegas, professores e familiares, ao qual foi exposta desde pequena. “Com oito, nove anos, já sofria com essas questões porque era muito feminina na aparência. Sofria na família porque o meu pai me cobrava uma postura mais masculina, mas era algo que me fugia do controle, era a minha natureza”, desabafou Luma, em entrevista à Lusa por telefone.

Na escola, o tratamento não era diferente e Luma sofria com agressões verbais e físicas dos colegas, além de problemas fisiológicos graves gerados pela impossibilidade de ir à casa de banho durante o período em que permanecia na instituição. “Se eu fosse ao banheiro masculino, podia ser violentada pelos meninos, e não me deixavam ir ao feminino. Passava momentos de tortura porque tinha que guardar aquelas necessidades, perdia a concentração na sala de aula”, disse. Os estudos foram desde então a forma que Luma – nome adotado oficialmente em 2010 – encontrou para mudar de vida, ajudando os colegas que não iam bem nos exames, em troca de proteção contra os mais agressivos.

Luma Nogueira de Andrade, a primeira professora universitária travesti“Nessa resistência, a gente acaba encontrando alternativas de se superar, de sobreviver. Eu me apoiei e utilizei toda a energia na educação, tentava evitar o meu afeto pelo mesmo sexo focando-me nos estudos, com um amor ao meu caderno, a poder ensinar as outras pessoas”, acrescentou. Mais tarde, Luma ingressou na Universidade Estadual do Ceará (UECE), onde se graduou em Ciências com habilitação em química, seguindo para um mestrado em Desenvolvimento do Meio Ambiente pela Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UFRN). No ano passado, concluiu também o doutorado pela Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará, tornando-se a primeira travesti com o título de doutora no país.

Paralelamente aos estudos, esteve sempre a lecionar, inicialmente na rede municipal de ensino básico e posteriormente na rede estadual, onde chegou a tornar-se superintendente escolar da Secretaria de Educação do Estado do Ceará, no município de Russas. Luma ingressou em todos os cargos através de concursos públicos, mas ainda assim sofria resistência por parte dos seus superiores, encontrando dificuldades inclusive para assumir a vaga conquistada, em alguns casos, com o primeiro lugar nos exames de competência. “Foi difícil assumir [na rede estadual] porque os gestores não acreditavam que eu teria um bom desempenho, ficavam a vigiar-me atrás da porta e os meninos no início também me xingavam (insultavam)”, lembrou. A superação veio com a certeza de que o seu papel era justamente ensinar a esses meninos os valores de respeito ao próximo e tolerância a quem é diferente.

“Os meninos no início falavam palavrões comigo, mas depois passavam a ouvir-me e identificavam-se, porque percebiam que também eram vítimas de preconceitos – havia negros, pobres, deficientes – isso foi trazendo uma empatia e uma segurança maior”, afirmou. Aos 36 anos, Luma prepara-se agora para o novo desafio de lecionar numa universidade, com a peculiaridade de ser um centro internacional que reúne alunos de todos os países africanos de língua portuguesa, além de brasileiros. A professora disse acreditar que terá muito a acrescentar, e ressaltou o facto de alguns países que cooperam com a Unilab ainda terem altos índices de discriminação pela orientação sexual.

“O desafio que me aguarda é levar essa voz de liberdade, de combate ao preconceito”, previu, animada. Luma integrará o Instituto de Humanidades e Letras (IHL) da Unilab, ministrando inicialmente as disciplinas de Sociedade e Educação. A Unilab tem unidades nos estados do Ceará, nos municípios de Redenção e Acarape; e na Baía, na cidade de São Francisco do Conde. Lusa, publicado por Luís Manuel Cabral – http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3587925&seccao=CPLP&page=-1

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